Diz você.

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Tem dias que é mais inquietante não conversar contigo.
Envelhecer não é para todos... Envelher bem, com amigos, uma vida tranquila, os pés bem plantados no solo que mais nos agrada, coisas boas e raras assim só com sorte; creio nisso.
Eu só queria saber como é, envelhecer, sabe?
Te perguntar isso e outras coisas. Entender isso e outras coisas. Achar graça disso e de outras coisas. Só pra ver se silencio o coração. Se encontro as saídas, os devios, as curvas e o retorno dessa estrada escura do sol que já se foi e de noite sem lua.
Que seja eu doida então por não fazer sentido. Mas é que sentido algum eu quero. O que quero mesmo é como antes poder conversar com um amigo. E em meias palavras, aí sim, poder fazer total sentido.
É possível sentir saudades, muitas mesmo, de sabe-se lá o quê? Me diz você...


Para o meu velho amigo MM.

Parabéns About my Truth. 2 anos de vida, verdades e outras graças.

Bem-aventurado.

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Ora pois, é chegada a hora de arrumar as malas, ganhar estrada, partir de mim. De coração aberto, desejo livre e pensamento leve dou o primeiro passo.
Saio de mãos abanando porque dessa vida que até aqui vivi quero apenas a certeza de que qualquer possibilidade é bem-vinda feito o Sol acondando manhã após manhã.
Ao bater o portão e ir em direção ao que me espera logo ali adiante vou me despindo silenciosamente das cicatrizes do tempo. Faço o meu strip-tease da alma onde peça após peça, encaixe depois de encaixe, composição e outras coisas viram cinzas de um passado que não me pertence mais.
Eis assim o nascer! Do corpo, do espírito agora novamente jovem, dos olhos que sorriem curiosos e da mente que figura abstrata, virgem.
Um nascer solitário, sem registro, companhia ou observador; um nascer sem nome, nascer que existe e despreza rótulo, convicção, admirador.
Dou-me a outras formas tão distintas de quem eu era que me espanta toda essa inovação por décadas escondida. Dou-me a tantas coisas e cores e conteúdos e planos e essências que em essência caem melhor sobre mim que essa casca que visto. Corto a casca ultrapassada para esse meu futuro de agora e soa cruel me ver tão exposta, tão eu, tão nua.
Ora pois, a hora chegou e ela partiu! Deixou-me esperanças de felicidade, ânimo para enfrentar os infortúnios da vida e um jeito inocente de crer que qualquer possibilidade é bem-vinda.

280 postagens e um amor que não finda.

Verdadeiramente lhe digo...

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Se um dia o meu amor souber o quanto fui falsa, mesquinha e hipócrita em todas essas verdades que jurei sinceras, autênticas, minhas; ele me julgaria afinal? Me condenaria? Me colocaria em uma infindável cruz de agonia e dor que seria viver sem a sua presença? Sem esse amor que alimento, que guardo, que transformo, que tomo por meu sobre todas as coisas?
Me teria ele então como sua e faria das minhas loucuras, do meu desejo, da minha fúria um pote cheio de doçura com os pecados que cometi? Seria eu então merecedora desse ser maravilhoso que assim me quer: desdenhosa, imaculada, fria, falsa...?
Me quereria ele sorrindo dos defeitos que carrego, das marcas, das mágoas do passado algoz, astuto, destruidor? Me amaria no final, das contas, de mim, de tudo; do tempo que passa, que trama, que carrega: as mentiras, os desejos e quase os expõem e às minhas encenações de teatro, e que os tranca na mesma caixa insondável, inóspita e insana de quem sou verdadeiramente por dentro?
E a verdade faz sim de mim verdade porque me tece, me forma, me compõe, me exalta; me enrubesce a face com os beijos que ganho de ti e os beijos que roubas de mim. Afinal, amor é amor de todo jeito e se é amor, namorado meu, me terás então no fim por inteiro.

Palavra às vezes tola; palavra às vezes sã.

Deixe-me ir.

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Obrigada, obrigado. Troco a vogal, o locutor, troco o ponto - travessão.
Pula o sinal, pula o verbo; pula uma linha, outra face.
Pulo uma vida inteira e descubro que nessa frase cabe um conto.
Conto o conto que já é tarde. Acerto o ponto - vou dormir.

Quem se habilita?

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Procuro um amigo.

Procuro um amigo e essa tarefa tem me dado trabalho. Um amigo verdadeiro, que me ame sem receios, em quem eu possa confiar está difícil de achar.
Procuro um amigo sincero que não me esconda os defeitos e manias irritantes. Que saiba o valor da vida e que goste de dar risada. E que queira cuidar dessa filosofia já gasta: um amigo.
Procuro um amigo que seja só meu. Só meu quando estiver comigo, só meu para comigo enfrentar o mundo e meu para me ensinar a ter cuidado.
Quero um amigo que cure solidões com abraços e saudades com sorrisos de aquietar coração e mente; eu procuro um amigo que me queira de fato. E que odeie cigarro, por favor.
Quero um amigo que enxugue lágrimas, que perdoe minhas faltas, meus medos e aflições; pode ser amigo santo ou mágico, tanto faz.
Procuro um amigo que dure mais que um verão... Um amigo que saiba um pouco de filosofia, física e religião; um amigo que tenha fé.
Procuro um amigo que me tire para dançar mesmo que não haja música. Um amigo igual e diferente de todo mundo; igual em achar graça na besteira e diferente em compreensão... Pode ser amigo homem ou mulher, mas que ele fale bem baixinho palavrão.
Quero muito na minha terrível exigência, mas não se acanhe, é só fachada. Quero mesmo é um amigo, isso e ponto. Um ponto e basta.

Procuro um amigo pra vida toda. Alguém se habilita? 



Entre nós.

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Entre não é partida, nem chegada.
É apenas a metade do caminho.

Ocorreu-me.

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Até o silêncio me é revelador de alguma forma. Sinto falta de quando o silêncio era apenas o silêncio e nada dele se podia retirar. Agora, entretanto, é preciso entregar meu corpo, mente e espírito a um nível insuportável da mais profunda quietude para que sobre mim repouse a mais completa ausência de sentidos.
Ruidosos são os sons que a mente faz em busca do sincero entendimento e ruidosos são os sons do corpo que não se contenta apenas com o rubor da pele em dias de verão. O espírito, que tanto se alegra, não consegue guardar para si seu descompasso e tudo passa sem que eu tome nota da verdadeira mudança que em mim ocorre.
Seria então necessário antever o descarrilhar das horas ou me fixar somente a estes audíveis barulhinhos que se dão em contemplar de olhos bem abertos o nascer da manhã? E se me entender é abrir mão de tal íntima questão o que faço eu aqui sem cessar o espírito para dar voz à razão?
Até o silêncio me é revelador de alguma forma. Eu só não sei distinguir que forma é esta e se me é boa ou não.

Eu? Você? Quem? - Nós!

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Quem inventou o amor? Me diga, por favor! Quem inventou o amor? Me diga, meu amor.

Do canto que te canto Bell(a).

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Apaixonei-me por ela! Moça tão bela que vi surgir na janela em vestido de flor jasmim. Com cabelos ao Sol de fim de tarde, minha felicidade seria vê-la pra sempre assim! Apaixonei-me por ela, menina do sorriso largo. Meu paraíso, eternidade. Criatura faceira que está sempre à espreita de me prender em seu laço de amor que só cabe a mim. Apaixonei-me então, dia após dia, por ela que és minha novidade, tentação. E sou outra vez menino, bobo, louco, tolo, maroto por ser eu o descobridor desses caminhos que Deus projetou, em outra vida, para mim.

A mente e outras drogas.

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... Reticências luminosas invadem a sala da mente para me fazer ter a esperança simplória das crianças que sorriem perante o pisca-pisca dos enfeites de Natal. Os olhos se enchem d'água e o martelar das luzes que piscam começam a incomodar meu juízo.
Fixo-me à parede, prendo-me ao rodapé esperando que a luz flutue para outro cômodo, um que não seja a sala ou o quarto. Pontos faíscam tão belos e me sinto atraída da mesma forma que sou atraída por águas-vivas perdidas na areia da praia; traiçoeiras como a noite esperando um toque para me fazer marcada em chamas sem fogo presente. Pontos faíscam e corro depressa, mas não para longe. Vou para o fim que me cerca e pede contato físico com dor sem reservas.
Na sala de mim, ainda imóvel, vejo tudo chegar como num filme caseiro. Brega, verdadeiro, sentimental por exagero e alienador por convicção.
Pontos-vírgula tentam romper a proteção do alheio que trago projetada sempre a dois passos de mim. Figurante na cena do meu mundo real não tenho inveja, não tenho medo, não tenho nada.
... Reticências luminosas são o meu universo de agora; a infinita e inquieta esperança de que podemos dar certo lá na chegada já que aqui na largada somos esse querer disforme.
A sala é meu cartão de visitas; exposta ao público, planejada, mas não falsa: INVENTADA!
Presa em quadro, ainda lido com o perigo das reticências luminosas clarearem as fechaduras dos outros cômodos que o público nunca viu encaixadas na sala, meu cenário.
Os pontos, diversão que trago no peito, são os poderes que tenho sobre o público-alvo, a beira do precipício que trilho sempre muito bem acompanhada e que por hora tem dado certo, ainda não caímos lá do alto.
A mente lateja e já não sei quem sou. A casa é a mesma, tudo parece igual ao que era antes da escrita surgir. Seria um sonho, talvez, pesadelo afinal. E em estado de choque o meu corpo revela pontos-vírgula tatuados na carne. Só um lembrete de quaisquer que sejam meus cenários, eu vivendo apenas comigo, não sou nada.
Nem frase, tampouco palavra.

Compilando:

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‎"Eu não gosto de escrever de costas para o mundo. Parece que a vida passa sem que eu tome conhecimento dela. Mas também não gosto de escrever encarando o mundo, não mesmo! Quando se olha continuamente para o mesmo lugar desacreditamos dos possíveis amores e só enxergamos os nossos fantasmas."

- E que seja tolo, se tiver que ser. Do meu tom, conto, prega-verso cuido eu.

"E a vida segue tranquila já que o tempo cansou de sanidade. Viro furacão, tormenta, vulcão, mar revolto, inferno na terra de mim. Sim, isso mesmo, tudo aqui dentro.
E lá fora segue tranquilo o tempo já que a vida (e eu) cansou da sanidade." - Sanatório.

- Sim, louca, doida varrida-passada-a-ferro-em-brasa. Eu de dentro pra fora, sem novidades.

Saudade

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Saudade é brisa do mar, ora passageira ora pra ficar. Saudade é feito nuvem que protege a pele do Sol, que faz florescer depois da chuva. Minha saudade, essa que alimento por ti, é sempre onda. Me pega em vem-e-vai, me preenche por inteiro. É saudade-onda de mar ou de rio. É a forma minha e do mar para em um abraço soberano se entregar. Como o mar, entrego-me. (@Souza_Rebeca)

Tolice.

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Morrer é sucumbir ao desejo de se fazer durar uma eternidade.
Tolos que somos desejamos o impossível todos os dias.
- Isso não é fé. É humano.


A vida vem para quem menos espera e faz
dela um buquê de gentileza e simplicidade.
Por isso, desejo pouco o que não me cabe.

Inventando um olhar para olhar pra mim.

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Virada ao avesso
é ela menina,
mulher - felina,
veneno de cobra,
ascendente em escorpião.

Passada a limpo
é ela Cristina,
amor bandido,
beijo roubado,
fúria e paixão.

E não se pode ser duas
diz a platéia.
E não se pode querer tudo
reprime o ouvinte.

Na frente e no verso
é ela sincera,
deusa,
mítica,
sereia,
pagã;
minha mulher.


Para expressar um pouco de amor próprio.

Preciso agora.

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Do que preciso?
do mar pra limpar a alma
do vento pra afagar o cabelo
da onda pra ser trilha sonora
do sol pra aquecer feito beijo.

Onde é preciso?
em mim que sorrio em segredo
em ti que caminha disperso
em nós pra quebrar o gelo
em meio ao crescente medo.

Quando é preciso?
sempre que der vontade
sempre que a saudade bate
sempre que o coração não cabe
o sentimento que invade 
o que era só uma amizade.

Se é preciso?
O amor? 
É preciso
preciso agora




Afeto, poesia e rio-mar.

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"Sabe, senti a tua falta hoje.
Não tanto quanto a alguns meses atrás, quando apenas nos falávamos à distância e a vontade de te ver e te ter só fazia aumentar.
Mas senti muito a tua falta hoje.
Tá! Tudo bem! Não foi tanta.
Foi algo assim, não conseguia nem sentir tanto o frio que fazia, e quando o vento insistia em abrir a porta e entrar os meus pensamentos já tinham corrido pela janela para tentar te achar.
Um dia chegaram a me dizer que para encontrar o paraíso seria necessário morrer, ainda bem que não descobriram o teu olhar, pois nele encontrei todas as respostas para as perguntas que sempre me fiz.
Torço para que eu seja um dos poucos a encontrá-lo, se não ganhei a vida eterna, ao menos felicidade eterna terei enquanto por perto você estiver.
Quem disse que não daria para misturar riacho doce e sal do mar estava totalmente equivocado, busco a tua doçura para equilibrar a minha pressão.
Mas para onde correu você? Donde foi desaguar?
Recorri ao nosso ponto de encontro para tentar te encontrar, ver se deixaste pistas.
Vasculhei cada canto do nosso momento. Percorri todos os esconderijos dos nossos segredos.
Refiz as cenas. A despedida. Sua corrida para fugir dos meus abraços e chegar cedo em casa.
Uma cinderela mais moderna e com uma família mais rigorosa na educação, afinal não eram nem seis da tarde, mas já havia a necessidade de sair correndo escadas afora para não perder a carona na carruagem.
Não adiantou muito. Voltaste de abóbora.
Enfim deixaste cair, não um sapato de cristal ou uma sandália, mas sim um brinco.
Agora correrei todos os reinos possíveis para encontrar-te, e acredite, até que eu fique cego te encontrarei, pois decorei cada detalhe do seu rosto com a ponta dos meus dedos.
Reinará no meu mundo, fará de mim talvez um sapo, bobo da corte ou até mesmo um príncipe, não sei ainda, mas de uma coisa tenho certeza, serás a minha eterna princesa!
Adoro você!

 Carta à Rebeca - Flávio Catão

(Inspirado na canção "Chinelo de Cristal" do Pirigulino Babilake)"


 Flávio Catão - Rio Vermelho/2011

Dualidade.

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A noite sempre revela o outro lado da moeda da Santa. 
E a Santa sabe ser outra quando quer, 
e a Santa é outra porque gosta. 
E Deus não culpa o homem por ter feito 
a moeda com faces tão opostas.

{Google}
Devaneios da madrugada.

Silvestre.

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Eu sou pássaro livre, moço; silvestre!
Pássaro que passeia sem casa
Pombo que dispensa endereço. 
Eu não sei ser presa, moço 
Criatura indefesa que canta em gaiola. 
Eu sou dos pastos, 
das roças, 
dos campos, 
do cerrado; 
eu sou dos Pampas! 
Sou morena faceira que guarda no peito um amor que consola. 
Sou livre de alma e de ti desconfio 
Sou pássaro que carrega no bico o desapego do mundo 
E sou bicho que não precisa de dois para ser um.



Talvez.

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Apologias:


Pausei: o relógio, o cronômetro, a vida, o rádio.
Juro que jurei não frear tão bruscamente, juro que tentei deixar rolar...
Causei: a porção desmedida da era, a pincelada de culpa que faltava.
E nada mais há de ficar em pé;
Nada mais há para fazer durar;
Nem um taco;
Nem um terço;
Muito menos, grão.



Mesclado:

Vou começar burlando as regras, 

Prometendo atos de Páris ao dom de Helena.
Vou inspecionar as vestiduras amargas; 
Sujas de sangue pobre...
E sei ser não, moço. Nada fora do mundo que me cerca.
Sei ser muito pouco, tolo. E assim sou terra.
Chão firme de mim, areia barrenta do cerne.
Sem Constituição; apoderando autoridade.
E assim, como tantas vezes, inicio as promessas dos atos, do dom pós regras: 
De Helena que sou toda eu - antes Páris. 

Pílula azul e bula falsa de remédio.

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Senhora do Caminho: É tanta rotatividade que eu não sei em que ponto termina a estrada por onde trilha o bonde do meu destino; e me chamam louca, e me assumem boba e vou sorrindo vez ou outra por ser mais eu (agora) que os demais.

Cortando os Pulsos: Enquanto o passo não se firma em valsa eu corto a sombra que em mim se apaga e deixo livre o tempo para que este volte e ocupe os buracos que aqui ficou.

Perseguindo os Versos: E como me fala meu melhor amigo eu seria radiante se não fosse essa obscura força de trilhar sozinha a confusão dos meus versos.

Para tecer a carne que em mim restou.

Fidelidade de meu Deus.

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Eu fico me perguntando se um dia volto a ser àquele edifício sem rachaduras, mas a resposta é simples, eu sei que não.
Mesmo com muita tinta e argamassa para colorir e tapar os buracos um prédio exposto aos efeitos do tempo não volta a ser novo.


- Para calar minha medíocre poesia.

Lavando da alma os nossos pecados.

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Por acaso, daqueles de deixar a boca sorrir sozinha, hoje a vontade veio e trouxe consigo o desejo de escrever.
Vontade súbita - quase muda - de encher coração, mente e folha em branco com a melodia ditada dos meus não versos. Ao som dos Beatles e com o pensamento nas conversas perversas e maliciosas de cada dia aceno para que a graça desse passado mais seu que nosso invada esse pedaço da noite.
É certeiro esse medo do futuro que se esgueira apressadamente entre nossas vidas mal entrelaçadas e é com convicção que me perco em outras vidas, de outros amores; mas que foram preenchidas com essas almas que tomam o meu e o teu corpo agora.
E por acaso hoje eu encontrei em cara com um nome que lembra o teu. Com um gosto que lembra o teu. E com os teus olhos de devorar meu movimento quando desfilo por aí de saia arrastando no chão.
E tudo, tudo mesmo, ganha um sentido diferente quando outras presenças e ausências cumprem esse papel de aproximar o meu caminho do teu destino incerto.
E afinal, como já era de se esperar, isso não é amor; é só saudade.



Não faz sentido para mim que sou de toda anormal. 
Imagina o estrago que não faz na cabeça desse pobre mortal.

Falando sem frases.

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Não vou falar dos meus defeitos.
Não vou falar dos meus conflitos;
Das brigas que tive ontem.

Não quero falar dos 'por menores'.
Não quero ouvir frases compreensivas;
E nem fazer parte do grupo de apoio.

Se eu quero o mundo?
- Sim, eu quero.
Se eu posso tudo?
- Sim, eu posso.
Se eu sou melhor que isso?
- Sim, eu sou!


Para o meu relógio que não pára de tiquetaquear!

Vertendo amores e desamores.

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Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci.

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando
Me pego cantando
Sem mas nem porque
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você.

Quando talvez precisar de mim
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos, quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz.

Olhos nos Olhos - Chico Buarque
Essa música sempre me emociona. Em todos os momentos da minha vida ela tem algo para fazer amar, doer, sorrir e chorar dentro de mim. Então, humildemente, eu venho compartilhar a genialidade do Chico e os prazeres que tenho ouvindo seus versos.

Tristeza tem nome e endereço certo.

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Para borrar a tristeza é que se fez a canção de dias melhores. Para pintar o cordão da mente sincera é que se fez o interruptor e a luz.
Para matar a saudade dos braços quentes em noite de frio é que se fez o amor e a ternura dos teus olhos amarelos. Para calar a boca exausta do amor de novela é que se fez a criança antipática e a palavra direta.
Para essa vida que não pára é que se fez o relógio de pilha e engrenagem quebrada.
Para mim que não faço sentido, casa, beijo, amor, moradia, planos, amigos, desejos, filiação e contato é que se fez coração e poesia.


Poesia é a única beleza desse meu dia.

Fantasiando desejos.

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Nenhuma palavra é verdadeiramente boa para este momento.
Nenhuma lembrança é tão intacta como as que tenho.
E nenhuma ganância é mais traiçoeira quanto essa de te ter por perto.


O que eu não disse antes.

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Minha flor, Lírio azul.


Escrevo-te os meus versos sinceros com o coração no bico da caneta. Sei que preferes tudo assim: sentimental por exagero.
Sei o quanto errei em não te mandar a sua tão sonhada carta, mas meu ser é pequeno em dimensão e sou criança nas palavras. Não haveria em mim o conteúdo necessário para relatar o que tenho feito e o quanto tenho sofrido com a sua ausência.
Lembro os dias de sol em que ficávamos deitados na grama do campo atrás do seu prédio e de como os olhares das pessoas chegavam flamejantes em minha pele. Como se deitar no campo a céu aberto fosse o maior e o pior pecado de todos. Mas e daí? Esses foram os nossos momentos!
Consigo identificar ainda o seu cheiro. Não sei explicar, é verdade. Mas toda vez que me sento
no banco velho da praça do centro da cidade é como ter você ali. Como se a madeira, estranhamente, tivesse absorvido seu perfume e deixasse exalar ao me sentir sentar.
E como eu gostaria de abrir os olhos nos meus momentos de divagações e ver o seu sorriso, o único sorriso que me faz sorrir por dentro...
Reconheço o quanto fui insensato e como precipitadamente abandonei o sonho de te ter 'pra sempre'.
Só que antes eu não sabia que se pode verdadeiramente ter alguém assim.
Recordo também do seu lenço soado no bolso da minha camisa cinza-claro. Ele continua guardado depois de todos esses anos, tanto pelo esquecimento que me dar tirá-lo, tanto por querer algo seu.
É insuportável pensar que de todas as suas coisas, apenas um lenço sujo restou nas minhas coisas.
Da próxima vez eu vou tratar de guardar uma calcinha. Calcinhas são muito mais interessantes que lenços, e você sabe!
E pode até parecer piegas:continuo te amando.
Eu fui muito mais o espinho do que a terra fértil para você florescer. Mas amor é amor e pouco importa a cara!
Essa é a minha última carta. Àquela carta que escrevi quando entrei no ônibus. A carta que você adulou que eu mandasse via Sedex. Mas diante da própria dor, um homem precisa se calar.
Então, calo-me!


Do seu Joel,
Para o meu eterno Lírio.


Marie, apenas te amo.
E tudo isso é porque amanhã 
começa a última semana do outono.
A mesma semana em que
há 20 anos eu te beijei.
{Foto - Regina Spektor}

à toa.

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Sim, é engraçado. A minha dor, o meu tormento, o meu medo. Todo o sentimento aglomerado aqui dentro esperando o seu sorriso para explodir.
Sim, é engraçado. A minha incoerência e as palavras que saem trocadas, por reflexo, presas no docemente maquiavélico sorriso que tens quando me ver fugir.
E sinto que não sou forte, que não sou suficiente em mim para bastar ao meu coração carente... 

E sinto a graça, vejo a graça e danço em graça por ser assim.
Sim, é engraçado. Muito, muito engraçada a minha ironia que nada mais é que um aceno de cabeça, um floreio com as mãos. E você gargalha descontroladamente...
E boba, confusa, tímida e sincera me deixo perder de vista e me encontrar no teu colo, minha moradia há anos.
E mesmo nessa tangível diferença que nos move, a sua vida é uma infinita colisão com os caminhos que escolhi.



 Sem os meus mil significados, só um conglomerado de palavras.

Palavras de todo dia.

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Estou amando meus sonhos, meus planos e objetivos. 
Namorada do meu futuro incerto e do braço forte que sustenta meu edifício.
Completamente presa na loucura que é o seu sorriso lua cheia. 
E volto dia e sou noite.
Irrevogável!
Indolente!
Menina de pés no chão e mente no espaço!


Coisa velha, coisa boa, coisa minha.

Seus segredos.

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Diferente de todos, ela guardava em seu baú o que mais amava:
as cartas,
os livros,
os versos,
os bilhetinhos de amor.

Nada escapava aos seus olhos,
nem as flores,
as fotos,
colagem
e capas.

Vivia para juntar coisas, sorria das suas descobertas.
Era sapatilha, caixa decorada, pincel quebrado, miudezas diversas.
Para os outros, bugigangas.
Para ela, o seu universo inteiro.




Para ela, o baú dos seus tesouros, as suas lembranças.

Peões e Rainha.

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O vento frio soprava de algum lugar distante da realidade da menina amarela de olhos amendoados.
Um vento que deixava suas bochechas coradas e as mãos doloridas e enrugadas pela severidade do esforço de permanecer fora de casa, longe do calor gostoso do fogão de lenha.
Pensou na mãe, nos amigos de infância e nos quadros coloridos que seu pai lhe dera, mas nada disso importava agora. Seu passado era um mero borrão, uma sombra defasada das próprias fantasias.
Tentou chorar; tentou doer; tentou sangrar. Nada aconteceu, por fim. Os olhos duros focando o infinito ressoava na alma o oco que era, o vazio constante, a falta de tudo.
Tão nova e tão morta que me fazia querer curar suas feridas, fazia-me querer colar suas fraturas expostas. E quem era eu afinal para concertar um espírito pobre?
O vento massacrava minha face e nada das minhas pernas correrem para longe dali. Fiz-me prisioneira da possessão dos seus olhos de guria nordestina com pé genético no Sul amado, da força que eram seus braços finos e dos seus lábios grossos cor de marfim.
- Um peão, assim me chamava. E eu sorria convicta e adepta do prazer violento que emanava daquele pequeno corpo.
- Um peão, eu repetia para mim. Orgulhosa em ser uma súdita sem valor do seu criminoso xadrez. Estava totalmente apaixonada pela serenidade das suas palavras, irrevogavelmente inserida no seu destino alheio ao meu.
Permaneci contemplando a cena mais estranha da minha vida, o frio cortando meu ser em dois e uma emoção que tentava traiçoeira ocupar os espaços vazios que florescia em mim tão pequenos e lilás quanto flor de acerola. Era curioso me ver através do espelho nos seus olhos e engraçada a indolência da menina.
Prostrei-me às suas vontades de Rainha e a aqueci, para sempre, no calor das minhas memórias.

{Google}

Eu conheço duas meninas, duas cabeças do mesmo dragão. Quem as olha de longe as chamam de gêmeas, mas eu que enfrentei as profundezas mais remotas sei bem o espírito que as domina e suas diferenças peculiares. Uma eu amo com todo fervor, outra eu odeio assombrosamente. Mas é da malignidade da segunda cabeça que eu mantenho o meu coração batendo.

Alegrias da madrugada.

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Acordei antes da hora
O relógio iluminou o quarto
Os olhos brilhando no escuro,
As incertezas sacudindo a memória.

Acordei antes da hora
O paizinho dormindo ao lado
O coração palpitando alarmado,
Um sorriso de criança medrosa.

E fez assim
Os segundos invadindo o corpo
O prazer de ver sonho exposto
E o sono cirandando aqui.
(E tudo isso se deu por ter a alma fora de mim.)


{We-It}

De bar em bar.

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"Ela me encontrou, eu tava por aí num estado emocional tão ruim, me sentindo muito mal. Perdido, sozinho, errando de bar em bar, procurando não achar. Ela demonstrou tanto prazer de estar em minha companhia, que eu experimentei uma sensação que até então não conhecia." 

- Me olhou nos olhos, bebeu do meu copo, chupou meus lábios.

"E ela me faz tão bem; ela me faz tão bem que eu também quero fazer isso por ela."

Pontos, contos e alguns versos.

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Coisa estranha é o coração da gente. Vira minha vida de ponta cabeça e me pega de surpresa sempre que espero mensagem, resposta, ligação e aflição não contida.
Coisa estranha foi a minha semana. Pensando com o coração na mão nas coisas do passado, e eu descobri que eu não tenho medo, nunca tive.
Coisa estranha é esse meu coração. Quando penso que me conheço bem ele chega de mansinho e mete a pulsação acelerada para bagunçar tudo, e lá se vai minha força, meu autocontrole e minha coerência já precária.
Eu acho graça de mim, de verdade. Fico toda gatinho manhoso por fora enquanto a fera rasga tudo por dentro; e abro um sorriso alegre, meigo e sincero para disfarçar os danados dos planos que tenho.
Veja agora, agora mesmo, quando a intenção era falar de coração. Fui divagando entre lapsos, relapsos e colapsos nervosos por ainda ser tão presa ao meu rapaz.
Então, corrigindo, que coisa estranha é a vida da gente. Ainda fico ansiosa com as coisas de sempre, ainda perco a noite tentando matar a saudade, ainda sonho em te pegar de jeito, ainda perco tempo falando bobagens e ainda sou feliz sendo a menina que sempre será cheia de histórias para contar.

Para dizer boa noite
Para te fazer sorrir
Para desentalar o peito
Para me deixar dormir.

Faz falta...

Comente!
Fazendo desse meu espaço virtual um baú das minhas memórias e vivências é mais que justo guardar, entre uma ou outra atualização, uma influência que é nítida. Uma parte que sempre será minha e de ninguém mais.
"Prenda minha parabólica
Princesinha parabólica
O pecado mora ao lado
E o paraíso... paira no ar.

Se a tv estiver fora do ar
Quando passarem
Os melhores momentos da sua vida
Pela janela eu estarei
De olho em você
Completamente paranóico.
Prenda minha parabólica
Princesinha "parabellica"
Paralelas que se cruzam
Em belém do pará.
Longe, longe, longe (aqui do lado)
(paradoxo: nada nos separa)

Eu paro
E fico aqui, parado
Olho-me para longe
A distância não separabólica."

MM: "Por uma injusta ironia do destino fui conhecer-te a poucos dias da sua partida para Camaçari. Porém, o tempo que pudemos ficar juntos foi o suficiente para que eu pudesse conhecer parte das suas exponenciais virtudes.
Certamente, quem te conhece sabe o quanto você é especial. Não seria exagero meu falar que você é dona da alma e da personalidade que mais admiro e que mais me impressinou dentre as pessoas que conheci ao longo da minha vida.
Lembro com saudades daqueles momentos que eternamente ficarão na minha memória. Como diria Elma: "Minha princesinha parabólica.. "o pecado mora ao lado.."" rsrs. Demorei pra entender porque ela disse que essa música é sua.
Parece que é o bastante para que entenda que você faz e sempre fará parte da minha vida, porque TE AMO MUUUUUUUUUUUUUITO! e sempre te amarei... bejos e fica com Deus, amiga!"

Ok, eu não sou tão virtuosa assim, vale salientar. Mas é que dá saudade de me ver pintada em quadro antigo, bonita e bem disposta em viver tudo tranquilamente. Simples como eu era em tempo passado e complexamente chata essa de agora, do presente. Então, como antes, encosto na janela para sorrir da sua voz e violão só para lembrar das coisas boas que eu não fui capaz de esquecer. E se há saudade, há amor.

Lucidez.

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E riu. Tão chorosa de si mesma que não se pode ouvir a alegria da fala.
Pôs sobre os ombros os fardos do mundo e dançou cambaleante perante suas verdades.
Tudo era um sonho. As cores azuis, amarelas, roxas e vermelhas lhe encobrindo a face e as pinturas mal feitas a refletir no espelho.
E riu. Gritou estérica o suicídio iminente e gargalhou da própria insanidade.
Ela era ela, toda ela e outros seres. Era um casal apaixonado e o nojo da lida. Era a nudez da pele negra que deitava em seu leito à noite; e vibrava à doçura dos filhos brancos que possuía.
E riu. E a imagem no espelho sorria em resposta, provocando-a, atiçando-a, revirando na mente e no estômago seus mais obscuros desejos.
E seus segredos, que já não eram mais seus, escoaram casa afora tão intensos e puros como o sangue que tingia suas mãos.
E riu. E assim era ela. Toda a morte e a perda que trazia no âmago.

Texto sob influência direta da minha Diva e Mestre Clarice Lispector e seus Laços de Família.

Vento, ventania.

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A força do vento está no horizonte sempre aberto. Nos montes que o impele a voar mais alto, nas folhas do outono que lhe atribue beleza.
O vento, assim como nós, sobrevive das inúmeras mutações que sofre. Com um sorriso, olhos brilhantes e um rubor na face vai o vento beijar os lábios dos amantes por natureza.
Tenho visto, com muita frequência, o poder de sua soberania; de longe se faz de brisa e nos pega de surpresa feito um tufão.
Certo dia, enquanto bebericava o chocolate quente que o papai fez em um fim de tarde, atribui valores ao nosso amigo de espírito. Foi difícil encontrar características sólidas, mas por fim, a tarefa rendeu mais que o esperado.
Não vou relatar minhas conclusões, elas são tão surreais e pessoais que me envergonha expulsá-las de mim. Mas garanto que nessa história não há tragédias nem preconceitos... 
E no meu presente de Brasília-Capital-Nacional vou me aconchegando no moço sem face, na ventania ciumenta.
Vou observando alegremente o vento lamber minhas pernas, e levantar meu vestido para me fazer corar.

Aparências

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Parte 1

Olhou para o relógio ultrapassado, pendurado na parede da sala, com ar desprezível.
Causava-lhe enjoos estar ali, naquele lugar mais um bar que uma casa. Pegou a calcinha do chão e a vestiu com pressa. Se conseguisse sair sem fazer barulho, poderia chegar em seu apartamento antes do Joe acordar.
Abotoou o sutiã pelo avesso, passou o vestido pela cabeça e segurou os sapatos de salto agulha com uma mão enquanto com outra, tentava localizar debaixo do sofá, a bolsa de couro vermelha.
Não se prestou ao papel de se olhar no espelho, sabia bem o que encontraria refletido, e precisava sair antes que seu acompanhante resolvesse repetir a noite passada.
Chamou um táxi pelo celular, abriu a porta da pocilga onde estava batendo-a atrás de si sem dizer adeus.
Caminhou para a esquina da rua onde havia marcado com o taxista; deu o seu endereço, podendo enfim, respirar em segurança.
Tentava entender o prazer que sentia em se auto-flagelar, mas esse agora, era o menor dos seus problemas.
O que diria a Joe? Como explicaria o fato de não dormir em casa? Como viveria se ele a deixasse?
Apagou instantaneamente as perguntas. Pensar nas respostas não diminuiria o erro, não a faria menos vagabunda.
Voltou dos seus devaneios quando o taxista parou em frente a um prédio. Olhou pela janela, pegou o dinheiro na bolsa, desceu do carro e ficou meio segundo contemplando a manhã, a suavidade do sol que brincava em sua pele e o carinho que o vento fazia em seus cabelos.

Parte 2

O porteiro lhe deu bom dia e ela seguiu para o elevador. Apertou o número quatro e esperou o solavanco costumeiro que ocorre sempre que o elevador sobe os andares.
Girou a chave na fechadura, entrou no estilo bailarina seguindo para a cozinha onde ligou a cafeteira.
Joe não estava acordado. Arrumou os brinquedos dentro do baú de madeira que seu pai havia entalhado anos antes, quando era apenas uma garota infantil e inocente.
Arrancou do corpo as roupas sujas, fechou a porta do boxe e permitiu que a água quente levasse embora toda a orgia da noite passada.
"Apesar de tudo, resolvi pedir a ajuda dele e como da outra vez, só ele pode me ser util agora", disse baixinho enquanto enxaguava o corpo perfeito que a natureza lhe dera.
Havia três anos que não entrava em contado com seu terapauta, mas deixou um recado com a secretária do médico essa manhã enquanto voltava para casa. Dessa vez terminaria o tratamento, estava convencida disso.
Pegou o roupão no gancho e foi ver o Joe, uma hora teria que encará-lo.
- Mãe, é você?
- Sou eu querido.
- Onde esteve?
- Aqui querido.
- Aqui? Eu fui ao seu quarto... Mãe, eu não te vi.
- Precisei sair, mas está tudo bem agora.
- Posso ver o papai hoje?
- Claro meu bem, agora já para o banho senão vai chegar atrasado na escola.
- Daqui a cinco minutos eu vou!
- Cinco minutos Joe, cinco minutos...
Arrumou a mesa para o café-da-manhã e jurou nunca mais agir assim, tão repulsiva e vil. Lembrou do sorriso do filho e das mãos sujas do homem dentro do seu vestido, estremeceu de tanto nojo...
Joe sentou-se à mesa, bebericou o leite morno em sua xícara decorada com filhotes de cachorro empenhado em convencer a mãe a deixá-lo ir para uma festinha na casa de um amigo no final de semana. 
A mulher concordava balançando a cabeça, dando pouca atenção ao filho, perdida em outra realidade.
Se esquecera das promessas feitas um minutos após o nojo lhe subir à garganta.
Estava agitada. Seu terapeuta teria que esperar, suas repreensões e bom senso teriam que esperar. 
Ela permaneceu concentrada, mesmo sem perceber, traçando novas formas de seduzir sua próxima vítima.
70ª Edição Conto/História
Esse texto é para que a imaginação corra solta. Aos poucos, todos os comentários serão respondidos e em breve eu estarei de volta como antes. Um beijo enorme aos leitores queridos!

Quase um segredo.

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Paulinha conheceu Júlio na quinta série, ele era um garoto baixo, magro, de óculos garrafais no rosto, aparelho maciço nos dentes, extremamente tímido. Raras vezes conseguia encarar uma menina e, muito dificilmente, possuía coragem para falar com ela mesmo que fosse para pedir o apontador emprestado.
Paula era o seu oposto; falava pelos cotovelos, ria de tudo e distribuía abraços sempre que via uma amiga cabisbaixa ou um garoto chorando num canto qualquer. 
Sua mãe conservava a mesma inocente cordialidade do ensino fundamental e ela esperava poder fazer o mesmo. 

Júlio vinha de uma família serena. Sua descendência japonesa transparecia nos costumes muito mais que na aparência. Vestia-se como um garoto brasileiro normal embora sua avó insistisse que levasse a sério sua cultura, mas em sua idade a formalidade recebia menos importância. 
Seus pais eram passivos, tão calmos que achavam divertido o filho querer ser diferente.
E assim cresceu Júlio: brasileiro em família estrangeira.


Em uma sexta-feira aparentemente comum, as amigas de Paula levaram para a escola um bolo de aniversário, Paula estava ficando mais velha, completara onze anos de vida.
Confeitaram o bolo com jujubas e confetes de chocolate coloridos e puseram sobre ele onze velinhas cor-de-rosa; a cor favorita dela. Estenderam uma toalha amarela no gramado sob a maior árvore do pátio, arrumaram os copos e pratinhos ordenadamente e os talheres foram enfileirados presos aos guardanapos de papel.
Mentiram tão descaradamente que Paula não sonharia, nem se vivesse mil anos, com essa surpresa.
Sendo assim, tudo ocorreu, quase, como deveria ser segundo os planos das suas amigas.


Paulinha, atenta aos mínimos detalhes viu no outro extremo do pátio o garoto estranho da sala.
Ela sabia que ele não tinha amigos e que era uma pessoa tímida. Ela já tentara puxar assunto outras vezes, mas ele sempre ficava vermelho demais para dar uma resposta.
Em meio aos gritinhos de prazer das garotas que a cercavam, pedaços de bolos que eram servidos, brigadeiros e guaraná ela levantou da toalha amarela com seu pedaço de bolo na mão e foi sentar, do outro lado, com o garoto que ela só conhecia o nome.
Sentou sem dizer uma palavra, nem mesmo um "oi", estendendo o prato com bolo para que ele comesse um pedaço.
Ele a olhou de soslaio, ponderou a situação, mas aceitou sem protestos o bolo oferecido pela menina. E ali ficaram comendo o bolo sem trocar palavras enquanto as amigas de Paula a fitavam severamente.
Magoadas, elas perderam o interesse na festa, guardaram tudo e seguiram para a sala.
E foi assim que Paula conheceu Júlio e desde então eles são inseparáveis.

Brincaram juntos de bicicleta, patins e pula-corda. Ele aprendeu a não achar infantil demais brincar de boneca e ela aprendeu a respeitar suas partidas de futebol-de-botão. Júlio ensinou Paula a nadar quando se tornaram grandes o bastante para ir à praia sem seus pais, e ela o ensinou a beijar, dançar e todas as outras coisas que só se aprende quando se ama.

Agora com vinte e seis anos (a mesma idade que Paula) Júlio pretende pedi-la em casamento, porém tem medo.

Senti um medo mortal, um medo que faz seus músculos tremerem sob o terno azul-marinho. Um medo que se funde aos ossos. Nunca sentiu nada parecido, mas sabe que a sua decisão é a correta. É a única decisão a tomar.
Ele a ama e a amará para sempre custe o que custar.
Recebe a bênção da sua avó e a ouve dizer que agora poderá morrer em paz; ele já é homem feito.
Sua mãe lhe dá de presente o seu anel de noivado e diz ao filho o quanto foi feliz e o quanto continua sendo.

Paula acordou nervosa essa manhã. Não sabia explicar o que tinha acontecido ou o que iria acontecer, mas sabia que era algo grande, algo que mudaria sua vida. Tentou telefonar para Júlio, mas o telefone estava ocupado. Viu toda a sua insegurança de adulto jorrar como num cano estourado. Sua mãe tagarelava coisas sem sentido para acalmá-la, mas não fazia efeito. Apenas Júlio conseguiria deixá-la relaxada, segura.
Em seu ser pressentiu a magnitude desse dia, respirou fundo e tentou ficar tranqüila.
Sua mãe, sabendo as intenções de Júlio, fez com que a filha vestisse o mesmo vestido que usou quando foi pedida em casamento. Paula suou frio, chorou durante meia hora, andou de um lado para o outro e por fim, vestiu o vestido que lhe coube ainda melhor que em sua mãe.

No clímax do desespero as duas mulheres ouviram emocionadas o som da campainha. 
Saindo correndo Paula abriu a porta e se deixou perder no poço fundo e escuro que eram os olhos do seu amado; o tormento das horas de espera se dissipou feito nuvem em dia de sol.
Júlio não permitiu que ela falasse nada, apenas colocou o anel em seu dedo, deu-lhe um beijo apaixonado e deixou que o tempo lhe carregasse para o passado. 
Ficaram ali, parados na porta, contemplando um ao outro, olho no olho, sorriso por sorriso. Fizeram exatamente como quando crianças no dia em que Júlio conheceu Paula, no dia que Paula lhe ofereceu um pedaço de bolo.


"Você me faz bem quando chega perto com esse seu sorriso aberto."

73ª Edição Musical, Bloínquês
O texto é enooooooorme, eu sei. Dá vontade de fechar a página só de olhar. Mas acredito que seja o meu texto mais inocente, mais doce, mais repleto de delicadeza. Amor em sua essência, ser primitivo.

Rebeca C. Souza

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Por outras faces:

"Baiana, 20 anos e um punhado de lembranças, faces e gestos que a fazem um mosaico abstrato pseudo poeta.
É sagaz, quando quer. É engraçada, quase sempre. É amiga, toda hora. E é pouco racional quando o assunto é amor. É daquelas que amam mesmo, muito e tudo. E é daquelas que quando não amam não há santo nem demônio que as façam amar.
É geminiana, e isso requer cuidado. É irônica, e isso merece humor. E é um caminhão-baú de coisas que ela sabe bem, mas finge que não.
Seu blog, o About my Truth, surgiu mais para agradar uma amiga do que do desejo de expor seus textos. Agora faz do seu canto um mar de sinceras, felinas e açucaradas verdades. Tudo junto assim. Tudo na mesma página. Que é para preencher a lacuna dos corações desafortunados e para fazer sorrir frente as outras tristezas de se viver tão só em um mundo superlotado.
Cursa Engenharia na Universidade Federal de Brasília, mas não sabe o motivo. Nunca soube. Vai levando e vai gostando e desgostando. Vai aprendendo e vai mudando e um dia, se assim o for, larga tudo e vai embora.
Livro é comida, para ela, da mente e da alma. E música, para ela, é o carinho que a faz sorrir. 
Ela é assim, toda multi facetada. E no mais, é se deixar descobrir."
***
"Blogueira por acidente, escritora por vocação Rebeca divide seu tempo entre as responsabilidades do curso de engenharia e o amor incondicional às palavras.
Mesmo sendo filha da Bahia já se aventurou em outros estados e agora pretende conhecer o mundo; 20 anos e um sorriso de alegrar quarteirão. 
Chata nas horas vagas, irônica por diversão, alto astral por natureza e um punhado de certas incertezas que são as singularidades da vida. 
Tem uma sinceridade de dar raiva, mas é amiga, sempre amiga.
Adora falar difícil assuntos bobos, e adora mais falar brincando assuntos sérios.
É uma incógnita, é verdade. Porém se deixar ler quando é preciso."

É, fazendo 20 anos amanhã. Nada como resgatar algumas coisas que já foram escritas para me fazer legível em outros espaços. beijo beijo.

Só são belas palavras.

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Nada como a cordialidade aparente. Como essa troca de favores desejosa em prender o outro aos seus caprichos.
Nada como essa nossa humana camuflagem feita em seda. 
Linda, engomada, passada e bem vestida em quem lhe cabe.
Capa para esconder o corpo ausente, capuz cara esconder a face fria.
E penso nessas horas sinceras em que me devoto a quem sou se poderia eu ser mais.
E posso ser?
E penso também no que poderia fazer se fosse mais.
E posso fazer?
E me dou a outras questões tão mais complexas que essa cordialidade aparente.
E posso pensar?
Eis então o problema!
Se reconheço que penso por estímulo, por ação externa e não por inspiração profunda, como posso eu ser-fazer?
Eis então outro problema!
Já que vejo aqui tratados e não merecimentos, e vejo também o egoísmo de quem quer tudo para si e que se danem os outros.
Como eu disse, nada como a cordialidade aparente.
Afinal, espera-se o tombo para poder cutucar as feridas.




- Nada como um balde de água fria na cara
para te fazer ver além do que nos foi permitido.

Sem pontuação nem regra

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Andarilha de pernas peçonhentas,
Corpo rechonchudo de olhar vidrado,
Oito saltos agulha sobre o solo
E umas mil garras afiadas.

Saberia lhe dizer quem ela era
Se não fosse eu projeto natural tão abstrato
De superfície pálida e flácida
A contemplar jazido de morto novo.

Chama ela a atenção dos menininhos meus,
Por eles serem inocentes errôneos
De cabeças cheias de plumas e sonhos,
E espírito de cavaleiro bravo.

Dói em mim saber da partida,
Dos olhinhos sorridentes que não voltarei a ver
Já que a fera não faz distinção
e qualquer ser ela se dispõe a comer.

Um aqui comigo,
outro lá em casa.
E a aranha maliciosa-envenenada
prende-me os braços, e saliva
os meus meninos com lábios fartos.

{Google}

Eu estou tão atarefada que decidi fechar meu outro blog: O Insensatez. Como tem muita coisa lá e eu não quero que esses textos fiquem esquecidos vou postar aqui, aos poucos, esses escritos com o Marcador Insensatez. Espero que vocês curtam essas outras verdades. :*
 
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