"A tristeza é senhora
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura
A noite, a chuva que cai lá fora
Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece
No quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora..."
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6º dia: 14/09/14. Caetano
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19:06
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5º dia: 13/09/2014. Só um banho de Sol para lavar as mágoas.
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12:29
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Acordei preguiça demais pra levantar, mas levantei num susto e fui! Fui porque precisava ir mesmo com a melancolia tentando me dominar.
Moto-táxi, vento levantando o cabelo e cortando o rosto semi acordado. Me vesti para o combate: uma mistura de sereia rosa sensual e punk fatal do nordeste! rsrs No Lapa semi cheio com minha leggin bem colada, mochila nas costa e uma crença, dessas profundas, de que meu dia seria melhor, eu fui!
Reuniões, acertos, cortes e costuras dos meus trapos! Remendos. Eu colando os cacos. Eu fui...
Pessoas sorrindo, o Sol bonito inundando o sábado e meu espírito se abrindo, receptivo, para a toda a intensidade. Eu fui, continuo indo... Conversas com estranhos, risos. Continuo indo...
Barra! Casas, planos, escolhas, perspectivas. Gargalhadas. Horas e mais horas rindo de você, de mim, dos problemas dos amigos que estão tão na merda quanto eu! Confesso, foi divertido. Volto melhor, infinitamente melhor, pra casa! Pego um Lapa tranquilo dessa vez e volto dormindo aconchegada nesse dia bonito de Sol.
O choro, as crises, as indecisões e todos os sentimentos ruins que ainda me alcançam foram um mero detalhe diante da leveza do Sol sorrindo pra mim nesse sábado.
4º dia: 12/09/2014. Pausa
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10:59
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Os dias andam se misturando e eu já não sei bem onde um termina e começa o outro. Os sintomas são sempre os mesmos: choro engolido, fortes palpitações, estômago embrulhado, esgotamento físico, dor de cabeça, raiva, frustração, acessos esporádicos de ódio, pensamentos inúteis e amor.
Terça se misturou com quarta que se misturou com quinta que tudo que eu senti e sofri em nada difere de agora. E hoje é sexta de chuva...
Tenho recebido pequenos afagos de amor. Um colo disposto. Um sorriso sincero. Mensagens de paz. E meio segundo de paz é tudo o que eu tenho antes que as suas palavras-navalhas voltem a rasgar minha pele...
Queria desabafar as coisas ruins da vida pra diminuir meus pesos e angústias, mas eu me sinto ridícula. Tosca por estar sofrendo tanto assim. – Patética! Fico me desejando coisas boas na esperança do vento soprar ao meu favor, só que ainda é cedo. A solidão veio pra ficar, a dor veio pra fazer doer até os ossos.
Tenho medo de ficar a sós comigo. Eu sou dada a loucuras, minha obscuridade me assusta. Mas vou seguindo, amarga. Em algum momento isso vai passar. Eu vou sarar. Vai cicatrizar.
Amar machuca tanto que só amor pode curar!
P.S: Se eu não escrever qualquer coisa que seja eu vou surtar.
2° dia: 10/09/2014. De quem é a culpa?
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09:48
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ARRRRRRRRRRRRRRRGGGGGGGGGGGGGGGGGHHHHHHHHHH
RESPIRA
RESPIRA
RESPIRA
RESPIRA
Coração idiota! Idiota! I-D-I-O-T-A! Você aqui sofrendo e ele lá. Enquanto você sofre, ele lá. Enquanto você morre por dentro todos os dias, a cada hora do dia um pouco mais, ele lá. Lá curtindo a vida dele e você aqui, I-D-I-O-T-A! “Você não é idiota”, ele disse. Não? Você estava fazendo o que duas horas depois no roteiro, baby? No mesmo dia e no dia seguinte e no outro dia enquanto eu estava e continuo aqui morrendo por dentro?
RESPIRA
RESPIRA
RESPIRA
- Respira!
Enquanto isso o coração agoniza no peito.
RESPIRA
RESPIRA
RESPIRA
RESPIRA
Coração idiota! Idiota! I-D-I-O-T-A! Você aqui sofrendo e ele lá. Enquanto você sofre, ele lá. Enquanto você morre por dentro todos os dias, a cada hora do dia um pouco mais, ele lá. Lá curtindo a vida dele e você aqui, I-D-I-O-T-A! “Você não é idiota”, ele disse. Não? Você estava fazendo o que duas horas depois no roteiro, baby? No mesmo dia e no dia seguinte e no outro dia enquanto eu estava e continuo aqui morrendo por dentro?
RESPIRA
RESPIRA
RESPIRA
- Respira!
Enquanto isso o coração agoniza no peito.
1º dia: 09/09/2014: Fez-se inverno.
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12:10
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As minhas reflexões ficam mais amargas com o passar das horas. O exercício contínuo entre as áreas, unidades mentais e físicas, não me conduzem a uma melhora. O exercício me leva até você. O exercício me faz andar ao redor de tudo isso como essas longas caminhadas que as pessoas dão ao redor de um parque ou lagoa. Mas isso é agora, isso é hoje e hoje, não é o começo.
***
Excruciante! Excruciante! A garganta seca e o rosto empalidecendo gradativamente. O palestrante me olhando de um jeito vago, absorto... agora já não mais... curioso... Os olhos dele nos meus olhos marejados. Não suporto! Desabo ali mesmo, de um jeito muito discreto, perante todos. Consigo pedir licença e me retirar do auditório rumo ao desconhecido. Entregar-me totalmente ao novo que me espreitou, achou e possuiu sem demora. Terça de inverno. Noite sem lua de céu com nuvens carregadas. Faz frio, mas eu nem sinto. Os calafrios que convulsionam meu corpo têm outro motivo.
A chuva... A chuva abafando meus soluços incontidos, meus gemidos de dor, de raiva, desespero, incertezas; todos os sentimentos escorrendo pela face. Por fim, o enjoo. O vômito que não avança, apenas ameaça.
Excruciante! Já li essa palavra tantas vezes em meus livros, mas nunca tinha ousado usá-la. Usu-a agora devido à falta de um sinônimo que te represente melhor em minha vida. É o primeiro dia, são apenas as primeiras horas de um tormento que reconheço: vai demorar pra passar. A volta para a casa, nessa terça fatídica, será sempre insuperável. Os lábios mordidos, o choro rompendo o silêncio inundando as outras poltronas, sem abafo! Sem contenção! Tento me engolir. Engolir o sangue que agora converto em lágrimas. E chorei tantas outras vezes naquela mesma noite que a noite passou depressa após ter desabado com a cara na minha poça de lágrimas e amores. Dormi, por fim, o sono sem sonhos mais atormentado de todos.
Excruciante! Já li essa palavra tantas vezes em meus livros, mas nunca tinha ousado usá-la. Usu-a agora devido à falta de um sinônimo que te represente melhor em minha vida. É o primeiro dia, são apenas as primeiras horas de um tormento que reconheço: vai demorar pra passar. A volta para a casa, nessa terça fatídica, será sempre insuperável. Os lábios mordidos, o choro rompendo o silêncio inundando as outras poltronas, sem abafo! Sem contenção! Tento me engolir. Engolir o sangue que agora converto em lágrimas. E chorei tantas outras vezes naquela mesma noite que a noite passou depressa após ter desabado com a cara na minha poça de lágrimas e amores. Dormi, por fim, o sono sem sonhos mais atormentado de todos.
Pré-Texto
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22:17
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Poemas.
Frases-texto são meros pretextos de quem só sabe amar com palavras.
Eu gosto mesmo quando, falta.
Eu gosto mesmo quando, falta.
De Iracema à Capitu
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Unknown
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13:45
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UFBA.
Recordo-me bem das histórias que lia quando criança. A prateleira do quarto cheia de brinquedos, a cortina amarela enfeitando a janela, uma cama de solteiro e todas as minhas bonecas e bichinhos de pelúcia sobre ela. A leitura era doce, sutil, alegre; infantil como deve ser.
Todos os dias a criança cresce um pouco até que se torna menos criança e mais adulta. As responsabilidades que antes eram com a arrumação dos brinquedos nos cestinhos agora são em ajudar a mãe com a limpeza da casa e a cuidar dos irmãos mais novos. O amadurecimento releva novas nuances na leitura e novos universos por trás deste.
Com nove anos peguei emprestado com a minha tia Iracema de José de Alencar. Livro este que na capa estampava uma linda índia com os cabelos negros enfeitados por penas coloridas de pássaros. O desejo de ler Iracema não surgiu imediatamente, eu sou um tanto assim, pego livros pelo impulso e desejo de tê-los para mim até que um dia o desejo de consumi-los aparece e eu os devoro um a um, ou todos de uma só vez. A tarefa de ler uma Iracema de uma edição de mil novecentos e pouco não foi fácil. Meus olhos ardiam. Minha garganta ficava seca. A cabeça doía às vezes... Parava, comia e retornava à rede na varanda de casa que sempre foi um dos meus locais preferidos de leitura. Era uma Iracema a perturbar meu sono e um Martim a me encher de raiva. Raiva por ela ser tão sincera e ingênua nos sentimentos como uma garotinha de nove anos não conseguia ser – graças a Deus! Os sentimentos foram os mais diversos e ao término do livro chorei como antes e depois disso nunca houve igual. Iracema foi a minha primeira leitura “de verdade” e aquele choro convulsivo foi um divisor de águas em minha vida.
Anos mais tarde, já cursando o ensino médio, conheci Capitu. Nunca concluí a leitura de Dom Casmurro embora tenha um exemplar do livro de Machado de Assis em casa que ganhei ainda quando criança. Capitu surgiu em minha vida na figura de uma amiga que eu tanto amo. Os olhos de Noemy e os olhos de Capitu são um só. Suas brincadeiras de menina, sua percepção aguçada, seu poder de enfeitiçar a todos são tão parecidos que as tonam faces iguais e opostas da mesma moeda. Ambas são assim, una.
Mas Capitu não me foi revelada de cara, precisei de anos de convivência até que pudesse compreendê-la e aceita-la com sua verossimilhança. Antes de Noemy eu tinha um desejo enorme de conhecer Capitu e até hoje não sei explicar o motivo de não ter feito isso antes. Gosto de pensar que o destino quis assim para que eu pudesse conhecer uma Capitu de carne e osso! O reconhecimento de quem ela era de fato nos envolveu num segredo profundo que compartilhamos até hoje em nossa amizade... Minha menina oblíqua e dissimulada!
No intuito de eternizar a minha Capitu-Amiga lhe escrevi os seguintes versos: Ela é a minha capitolina. / Tão inocente / Tão menina / Tão quanto é minha. / Ela é a capitolina dos sonhos / Dos sonhos outros / Dos pequenos que se acham grandes. / Ela é a capitolina do tal romance, / Cheia de facetas e certezas que só as meninas têm; / Que só as mulheres possuem. / Ela é Capitu. / Capitu e ponto. / Não há necessidade de descrevê-la, / Apenas, de amá-la.
Texto 1: Leitura e Produção de Textos em Língua Portuguesa
De Iracema à Capitu
Universidade Federal da Bahia
Só tinha que ser com você.
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17:38
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Nu e Cru.
As minhas necessidades são concretas e substancias. Imaginar viver essa loucura, eu juro, não imaginava. E cá estou presa nessa cama de gato que você armou só para me sabotar, me encantar, me prender, me entrelaçar a você. E eu caí, e caio de bom grado toda vez que o telefone tocar, toda vez que a sua voz me chamar, toda vez que for você diante de mim.
E eu armei, joguei, brinquei, pedi. E peço, pedirei e será sempre assim. Amor eu não entendo o significado da palavra quando amor é um subterfúgio para se remoer mágoas; mas você surpreendeu. E foi bom, acredite! Acredite em mim só mais uma vez, dessa vez, por favor. Eu não quero mudar nada nesse jogo; não hoje.
E eu armei, joguei, brinquei, pedi. E peço, pedirei e será sempre assim. Amor eu não entendo o significado da palavra quando amor é um subterfúgio para se remoer mágoas; mas você surpreendeu. E foi bom, acredite! Acredite em mim só mais uma vez, dessa vez, por favor. Eu não quero mudar nada nesse jogo; não hoje.
Migalhas.
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Unknown
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22:09
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Coisas Velhas.,
Nu e Cru.
Me deixa surtar de vez em quando só pra dizer o que não sei. O que não dá. O que não passa da garganta sem entalar. Eu tenho mania de rimas, rimas frágeis como o nosso encontro naquela última madrugada. Como aquele primeiro e último beijo que foi o meu universo inteiro. Eu tenho mania de ser grande quando ser pequena me traria muito mais paz e sossego. Eu tenho mania de tantas coisas... Eu tenho mania de dizer não pra você dizer sim e ficarmos assim, na contramão. Nesses passos contrários, nessas vidas contrárias, dessas histórias cruzadas, desses.
Vê como não há resposta? Vê como tudo é só confusão? E quando eu penso que tudo aqui dentro vai amenizar, que eu vou me apaziguar você surge do nada só pra saber se eu estou bem. Eu estou bem quando você não vem porque quando você vem, quando você reaparece, quando você finge ou não finge ou sei lá esse interesse por mim eu desabo. Porque você é a viga central e podre dos meus alicerces. Eu não suporto, desmorono. E se a sua intenção é saber se ainda mexe comigo, parabéns pra ti, você mexe e como!
E isso não é uma daquelas minhas outras idiotices e surtos de sensibilidade porque não precisamos disso. Eu não preciso disso. Só coloquei minhas armaduras de lado pra dizer que ou você fica ou você vai embora, de vez, pra sempre. Eu já cansei de me alimentar dessas migalhas de memória. Eu não ouso dizer “volta” porque entre nossas vidas sempre haverá esse abismo que nos coloca em lados contrários e a vida seguiu seu próprio curso, apesar de tudo, fico feliz por isso. E estamos nos saindo muito bem nesses nossos lados opostos...
E como lá no fundo eu sei que você não fica, partirei eu definitivamente. Caso nos encontremos ainda nessa vida me deixa surtar. Me deixa te dar o abraço que eu tanto quero. No mais, eu só posso te desejar todo amor dessa vida.
Vê como não há resposta? Vê como tudo é só confusão? E quando eu penso que tudo aqui dentro vai amenizar, que eu vou me apaziguar você surge do nada só pra saber se eu estou bem. Eu estou bem quando você não vem porque quando você vem, quando você reaparece, quando você finge ou não finge ou sei lá esse interesse por mim eu desabo. Porque você é a viga central e podre dos meus alicerces. Eu não suporto, desmorono. E se a sua intenção é saber se ainda mexe comigo, parabéns pra ti, você mexe e como!
E isso não é uma daquelas minhas outras idiotices e surtos de sensibilidade porque não precisamos disso. Eu não preciso disso. Só coloquei minhas armaduras de lado pra dizer que ou você fica ou você vai embora, de vez, pra sempre. Eu já cansei de me alimentar dessas migalhas de memória. Eu não ouso dizer “volta” porque entre nossas vidas sempre haverá esse abismo que nos coloca em lados contrários e a vida seguiu seu próprio curso, apesar de tudo, fico feliz por isso. E estamos nos saindo muito bem nesses nossos lados opostos...
E como lá no fundo eu sei que você não fica, partirei eu definitivamente. Caso nos encontremos ainda nessa vida me deixa surtar. Me deixa te dar o abraço que eu tanto quero. No mais, eu só posso te desejar todo amor dessa vida.
Por uma confissão e nada mais.
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15:24
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Nu e Cru.
As palavras são como pássaros. Pássaros de todas as cores e todos os tamanhos.
Pássaros exóticos e raros como o beija-flor do Peru ou como um desses cardeais que vivem cantando no quintal da vizinha.
Lembro-me de já ter criado periquitos, desses facilmente domesticados. E lembro-me de já ter domesticado as palavras pelo simples prazer de tê-las ali, retidas na garganta. As palavras são como pássaros. Eu já disse isso antes...
Eu gostaria de falar um dia sobre gaiolas, sobre as prisões que já me foram impostas, sobre os anéis de tornozelo para identificação. Às vezes eu sinto vontade de falar sobre isso, noutras vezes a vontade foge como eu fugi um dia.
Eu sei de tantas coisas e há tantas coisas que não sei que aprendi com todas elas assim, desse jeito quase obscuro de existir. Dessa forma quase insegura de ser, desse canto mudo de pássaro que chora fingindo que canta quando é posto na "casinha" e não sabe o porquê.
Então passarinho chora pra fazer doer em quem não. Em quem não sente nada depois da última curva fechada na estrada. Em quem não passa de um borrão em meio à multidão de pessoas desconhecidas que lhe cercam agora.
Passarinhos e pássaros e aves e todas elas são tudo que tento sentir. E sinto quando lembro que eu não estarei aqui no final das contas. Nem por você, nem por mim. Pássaros são tudo aquilo que eu quero te entregar agora. Pássaros são aquilo que de melhor eu posso te dar - a minha outra metade.
Pássaros exóticos e raros como o beija-flor do Peru ou como um desses cardeais que vivem cantando no quintal da vizinha.
Lembro-me de já ter criado periquitos, desses facilmente domesticados. E lembro-me de já ter domesticado as palavras pelo simples prazer de tê-las ali, retidas na garganta. As palavras são como pássaros. Eu já disse isso antes...
Eu gostaria de falar um dia sobre gaiolas, sobre as prisões que já me foram impostas, sobre os anéis de tornozelo para identificação. Às vezes eu sinto vontade de falar sobre isso, noutras vezes a vontade foge como eu fugi um dia.
Eu sei de tantas coisas e há tantas coisas que não sei que aprendi com todas elas assim, desse jeito quase obscuro de existir. Dessa forma quase insegura de ser, desse canto mudo de pássaro que chora fingindo que canta quando é posto na "casinha" e não sabe o porquê.
Então passarinho chora pra fazer doer em quem não. Em quem não sente nada depois da última curva fechada na estrada. Em quem não passa de um borrão em meio à multidão de pessoas desconhecidas que lhe cercam agora.
Passarinhos e pássaros e aves e todas elas são tudo que tento sentir. E sinto quando lembro que eu não estarei aqui no final das contas. Nem por você, nem por mim. Pássaros são tudo aquilo que eu quero te entregar agora. Pássaros são aquilo que de melhor eu posso te dar - a minha outra metade.
Como dói.
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19:27
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Nu e Cru.
Eu só quero vomitar o que eu não sei.
Deixar queimar de dentro pra fora.
Não é por causa da vida, nem por falta dela...
Vomitar o que me engasga.
Eu só quero expulsar o que me impede.
Quero rasgar minh'alma e com as próprias mãos arrancar minhas travas,
minha fala,
a minha obscura força que não diverge.
Como cuspir o que não sei?
Como ceder pra quem não ampara?
Como pular em buraco sem fundo?
Como me encontrar em outras caras...
Eu quero vomitar o meu enjoo.
A mente que derrete em ácido.
Quero, porque querer, eu posso.
Pra ver, quem sabe, meu peito calmo.
- Como dói. O coração. Que não se cala.
Deixar queimar de dentro pra fora.
Não é por causa da vida, nem por falta dela...
Vomitar o que me engasga.
Eu só quero expulsar o que me impede.
Quero rasgar minh'alma e com as próprias mãos arrancar minhas travas,
minha fala,
a minha obscura força que não diverge.
Como cuspir o que não sei?
Como ceder pra quem não ampara?
Como pular em buraco sem fundo?
Como me encontrar em outras caras...
Eu quero vomitar o meu enjoo.
A mente que derrete em ácido.
Quero, porque querer, eu posso.
Pra ver, quem sabe, meu peito calmo.
- Como dói. O coração. Que não se cala.
Minha poesia.
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Unknown
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15:04
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Amores.,
Coisas Minhas.
{Quando outro alguém diz o que você gostaria de dizer... Então, você diz também, só que do seu jeito.}
Minha poesia não quer
Ser útil
Não quer ser moda
Não quer estar certa...
Minha poesia não quer
Ser bela
Não quer ser má.
Minha poesia não quer
Nascer pronta...
Minha poesia não quer
Redimir mágoas
Nem dividir águas
Não quer traduzir
Não quer protestar...
Minha poesia não quer
Me pertencer
Não quer ser sucesso
Não quer ser reflexo
Não quer revelar nada...
Minha poesia não quer
Ser sujeito
Não quer ser história
Não quer ser resposta
Não quer perguntar...
Minha poesia quer estar
Além do gosto
Não quer ter rosto
Não quer ser cultura...
Minha poesia quer ser
De categoria nenhuma
Minha poesia quer
Só ser poesia.
Minha poesia
Não quer pouco...
- Ao som de Adriana Calcanhotto.
Açúcar mascavo.
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16:17
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Coisas Minhas.
Colocou nos meus lábios nessa manhã um tanto nublada um torrão de açúcar mascavo.
Açúcar mascavo que é um doce não doce para mim que prefiro açúcar cristalizado, e ele sabe!
Colocou nos meus lábios açúcar sabor mascavo com o prazer de quem confia, com a certeza de quem ama e com a sorte de quem não precisa agradar para existir. O açúcar mascavo derretendo na boca e o dia ganhando vida. Os amores fincando raízes. A saudade doendo no peito. A leveza com a qual me sorri. O Sol surgindo enfim.
Ele sabe! Sabe que eu prefiro doces mais doces que o açúcar mascavo e sabe também que uma colher de chá dos outros doces basta senão enjoo. Mas de açúcar mascavo enjoo não. De açúcar torradinho enjoo não. De doce que não é doce, mas que adoça a vida e a boca enjoo não. De Maskavo não abro mão.
– Não!
Um dia ele me olhou nos olhos com seus olhos negros e urgentes de quem tem fome. Esse dia passou pra mais de anos. E nessa minha manhã meio nublada seus olhos negros refletiam apenas seu amor de irmão.
O torrão derreteu, é verdade. Mas o açúcar sabor mascavo das suas palavras ainda tornam doces meus lábios e as minhas memórias.
Açúcar mascavo que é um doce não doce para mim que prefiro açúcar cristalizado, e ele sabe!
Colocou nos meus lábios açúcar sabor mascavo com o prazer de quem confia, com a certeza de quem ama e com a sorte de quem não precisa agradar para existir. O açúcar mascavo derretendo na boca e o dia ganhando vida. Os amores fincando raízes. A saudade doendo no peito. A leveza com a qual me sorri. O Sol surgindo enfim.
Ele sabe! Sabe que eu prefiro doces mais doces que o açúcar mascavo e sabe também que uma colher de chá dos outros doces basta senão enjoo. Mas de açúcar mascavo enjoo não. De açúcar torradinho enjoo não. De doce que não é doce, mas que adoça a vida e a boca enjoo não. De Maskavo não abro mão.
– Não!
Um dia ele me olhou nos olhos com seus olhos negros e urgentes de quem tem fome. Esse dia passou pra mais de anos. E nessa minha manhã meio nublada seus olhos negros refletiam apenas seu amor de irmão.
O torrão derreteu, é verdade. Mas o açúcar sabor mascavo das suas palavras ainda tornam doces meus lábios e as minhas memórias.
Para o meu grande amigo Filipe Medeiros.
Eu também te amo. E é pra sempre, Maskavo.
Eu fui, eu sou!
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Unknown
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22:35
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Nu e Cru.
Eu já fui como vocês.
Eu já estive na outra margem à mercê
Eu já andei por esses corredores sem saber
Que qualquer forma de dizer ‘o quê’ é bem-vinda.
Eu já fui como vocês.
Olhos cansados mas quase nunca distraídos
Porque o futuro quando é aqui decidido
Desperta o interesse para o mundo que não nos foi apresentado.
Sim, eu já fui como vocês.
A mesma farda, o mesmo passo em falso
As mesmas perspectivas, histórias inacabadas
E o mesmo orgulho por trilhar um caminho tão difícil.
Eu fui, um dia, o que hoje já não sou.
Pois com a vida eu aprendi
Que a vida não pode ser aqui resolvida
Como uma sentença matemática.
Viver exige prática
Exige erros, medos
Exige sonhos para alimentar a alma.
Viver dispensa conteúdo programático.
E ser como vocês
Trouxe-me alegrias
Trouxe-me amores
Trouxe-me aonde tudo começou.
O mundo pede pressa
E eu lhes digo ‘tenham calma’.
Se descobrir é questão de fé e coragem
Por isso eis-me aqui como antes não...
Eu já estive na outra margem à mercê
Eu já andei por esses corredores sem saber
Que qualquer forma de dizer ‘o quê’ é bem-vinda.
Eu já fui como vocês.
Olhos cansados mas quase nunca distraídos
Porque o futuro quando é aqui decidido
Desperta o interesse para o mundo que não nos foi apresentado.
Sim, eu já fui como vocês.
A mesma farda, o mesmo passo em falso
As mesmas perspectivas, histórias inacabadas
E o mesmo orgulho por trilhar um caminho tão difícil.
Eu fui, um dia, o que hoje já não sou.
Pois com a vida eu aprendi
Que a vida não pode ser aqui resolvida
Como uma sentença matemática.
Viver exige prática
Exige erros, medos
Exige sonhos para alimentar a alma.
Viver dispensa conteúdo programático.
E ser como vocês
Trouxe-me alegrias
Trouxe-me amores
Trouxe-me aonde tudo começou.
O mundo pede pressa
E eu lhes digo ‘tenham calma’.
Se descobrir é questão de fé e coragem
Por isso eis-me aqui como antes não...
Um dos textos para a III Noite de Poesia e Música - CEFET/CAMAÇARI.
Fotografia: O CORREDOR - CEFET/SIMÕES FILHO.
Um favor do céu.
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Unknown
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20:28
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Nu e Cru.,
Pequenos Textos.
Como as coisas mudam! Como eu sou dramática! É tão fácil se
deixar enganar pelo caos do momento, pelas aparências, frases soltas,
penitências que insistimos em cumprir para receber perdão pelo pecado que não
cometemos.
Eu amei muito um homem. E esse amor me fez forte por muito
tempo. Me fez crescer, expandir só para que ele, o amor, pudesse caber em
mim.
Eu amei muito um homem e, ele foi o primeiro homem que amei.
Amei-o muito cedo, muito nova, muito tola, com toda a inocência que a minha
pouca idade me permitia ter. E amei esse homem mesmo quando me descobria estar
apaixonada por outro. Esse amor quase me forjou! Quase me moldou ao seu
encaixe! Quase me fez sua como eu desejava ser! Mas não foi, não fui, não
fomos. Um dia esse homem me amou tanto quanto eu o amei, ou até mais! Quando
nos encontramos anos depois o quase do nosso laço reverberou em meus olhos e
todos os amores que ele viveu nesse meio tempo ecoaram nos meus ouvidos. Eu corri
do seu cântico maldito e ele fugiu, para nunca mais voltar, do meu quase.
Como o alinhamento dos planetas se dá de tempos em tempos
nossos centros de gravidade, nessa vida, não se cruzaram outra vez. O problema
(ou a solução) é que esse amor me inspirou até o término do nosso encontro. E
relendo meus textos antigos vejo-o tão nítido, tão perto que é possível sentir
o calor do seu hálito. E ainda relendo esses textos me vejo tão frágil, tão
sozinha, tão aflita, tão emocionalmente abalada que eu juro por Deus sentir
alívio por termos terminado. Nós representamos o tipo de amor que o Universo
conspira contra.
Hoje eu não sinto mais o peso dos mundos sobre meus ombros.
Deus não fecha uma porta sem abrir, antes disso, uma janela. Para compensar
toda essa bagunça cósmica Ele com as próprias mãos forjou um amor que coubesse
no meu molde. Eu já não preciso mudar, eu já não preciso ser tudo o que eu sei
que não posso. Um amor não substitui outro, mas pode muito bem se sobrepor
até enterrá-lo de vez no coração.
{We-It}
Primeira pessoa do plural.
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Unknown
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21:24
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Escrevo tudo em primeira pessoa que é pra não esquecer a ser só um. Um só coração pulsando só, só nós dois e nada mais.
{We-It}
Das abstinências que ele impõe.
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Unknown
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19:06
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Nu e Cru.
Todos os anos é a mesma coisa. Como um relógio programado pra despertar às seis da manhã ele pisca sempre pontual na minha janela.
A conversa se inicia sem roteiro pré-definido e em quase todas as oportunidades ele me traz novidades, me traz perspectivas, me traz lembranças ou, não traz nada. Eu sinto medo, é claro. Medo, aflição, ansiedade e expectativa se misturando feito comida no estômago quando a gente brinca no carrossel.
Poso de amiga, de amante, de mãe, de irmã e de tantas outras coisas que me perco nessa teia encantada que ele tece só pra me seduzir.
O contato imediato desperta uma vontade sincera de abraçá-lo apertado, o segundo e o terceiro contato são as atualizações dos acontecimentos das nossas vidas. O quarto contato é uma pausa dolorosa e silenciosa - como o minuto de silêncio que oferecemos em respeito aos mortos – sobre o futuro que planejamos juntos e o passado precursor de tudo.
E o quinto, o mais previsível de todos, é o contato que evidentemente ele mais gosta. Um floreio, meias palavras e uma distância que chega de mansinho até se instalar outra vez entre nós.
Quando isso acontece meu espírito fica quieto, resignado. Não há nada que eu possa fazer. Agora é aguardar o próximo contato no ano que vem, talvez.
A conversa se inicia sem roteiro pré-definido e em quase todas as oportunidades ele me traz novidades, me traz perspectivas, me traz lembranças ou, não traz nada. Eu sinto medo, é claro. Medo, aflição, ansiedade e expectativa se misturando feito comida no estômago quando a gente brinca no carrossel.
Poso de amiga, de amante, de mãe, de irmã e de tantas outras coisas que me perco nessa teia encantada que ele tece só pra me seduzir.
O contato imediato desperta uma vontade sincera de abraçá-lo apertado, o segundo e o terceiro contato são as atualizações dos acontecimentos das nossas vidas. O quarto contato é uma pausa dolorosa e silenciosa - como o minuto de silêncio que oferecemos em respeito aos mortos – sobre o futuro que planejamos juntos e o passado precursor de tudo.
E o quinto, o mais previsível de todos, é o contato que evidentemente ele mais gosta. Um floreio, meias palavras e uma distância que chega de mansinho até se instalar outra vez entre nós.
Quando isso acontece meu espírito fica quieto, resignado. Não há nada que eu possa fazer. Agora é aguardar o próximo contato no ano que vem, talvez.
Ciranda.
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18:39
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Amores.,
Coisas Minhas.,
Nu e Cru.
Eis que tudo saiu num jato de dores, amores, remorsos, saudades, conforto e alívio.
Os dedos tamborilando no teclado, a cara sem graça e uma vontade que não esperou adormecer. Não esperou acordar. Não esperou raciocínio lógico que o compreendesse. Eu ali, resguardada e uma ruga de preocupação desenhando a testa.
Besta fui novamente eu. Tola me atirei outra vez em seus mistérios. O juízo gritando em mim 'cuidado' e essa vontade maldita de confiar vendando meus olhos.
Uma ciranda imperfeita, um laço mal dado e mil segredos circunscritos nessa história. 2004-2012, 8 anos; o tempo corre e eu peço pressa. Eu peço agora. Peço que se resolvam hoje as inquietações que ainda carrego.
Farei o melhor, prometo. Preciso acreditar que há jeito, forma, fórmula, resultado que nos encerre. Que nos dê um basta. Que leve embora os Karmas e as mágoas que fizeram de mim apenas eu, eu e só, eu e ponto, eu e uma solidão quilométrica tão distante quanto o lugar onde você mora agora.
Amor é uma palavra dolorosa de se dizer quando o amor foi consumido por todo o resto... os beijos não dados, o colo negado, o afago que se perdeu em algum cômodo da casa. Quando todo o resto é e foi tudo aquilo que se quis e morreu aí, no querer.
Os deuses são realmente invejosos e crueis. Apressam o tempo da tua partida e atrasam o tempo da tua chegada. Eles jogam seus dados no tabuleiro das nossas vidas. Quando menos se espera o jogo recomeça: eu, você e essa ciranda.
Os dedos tamborilando no teclado, a cara sem graça e uma vontade que não esperou adormecer. Não esperou acordar. Não esperou raciocínio lógico que o compreendesse. Eu ali, resguardada e uma ruga de preocupação desenhando a testa.
Besta fui novamente eu. Tola me atirei outra vez em seus mistérios. O juízo gritando em mim 'cuidado' e essa vontade maldita de confiar vendando meus olhos.
Uma ciranda imperfeita, um laço mal dado e mil segredos circunscritos nessa história. 2004-2012, 8 anos; o tempo corre e eu peço pressa. Eu peço agora. Peço que se resolvam hoje as inquietações que ainda carrego.
Farei o melhor, prometo. Preciso acreditar que há jeito, forma, fórmula, resultado que nos encerre. Que nos dê um basta. Que leve embora os Karmas e as mágoas que fizeram de mim apenas eu, eu e só, eu e ponto, eu e uma solidão quilométrica tão distante quanto o lugar onde você mora agora.
Amor é uma palavra dolorosa de se dizer quando o amor foi consumido por todo o resto... os beijos não dados, o colo negado, o afago que se perdeu em algum cômodo da casa. Quando todo o resto é e foi tudo aquilo que se quis e morreu aí, no querer.
Os deuses são realmente invejosos e crueis. Apressam o tempo da tua partida e atrasam o tempo da tua chegada. Eles jogam seus dados no tabuleiro das nossas vidas. Quando menos se espera o jogo recomeça: eu, você e essa ciranda.
Enquanto o resultado não vem...
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Unknown
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20:57
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Amores.,
Coisas Minhas.
Hoje eu senti um saudade danada de você. Não saudade de saudade, mas saudade da falta de não ter o que há muito se tem.
Pensei em ligar, admito. Mas a ideia logo se desfez. Todas as palavras ditas seriam apenas fragmentos da confusão que sinto dentro dessa sanidade disfarçada. Quem iria me entender? Você?
Você já não me entende, eu já não te entendo e desentendidos estamos desde então. Essa falta desenfreada de ter o que não tenho agora pode ser longa ou passageira, dependerá do resultado da minha lógica numérica.
E enquanto eu não faço todas as somas e subtrações que preciso fazer vou ficar aqui alimentando ausências pra ver no que vai dar.
Pensei em ligar, admito. Mas a ideia logo se desfez. Todas as palavras ditas seriam apenas fragmentos da confusão que sinto dentro dessa sanidade disfarçada. Quem iria me entender? Você?
Você já não me entende, eu já não te entendo e desentendidos estamos desde então. Essa falta desenfreada de ter o que não tenho agora pode ser longa ou passageira, dependerá do resultado da minha lógica numérica.
E enquanto eu não faço todas as somas e subtrações que preciso fazer vou ficar aqui alimentando ausências pra ver no que vai dar.
LISPECTOR, Clarice.
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Unknown
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09:37
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Marcadores: Real, Vida Cotidiana,
Alheio.,
Amores.,
Coisas Minhas.
Confesso que vê-la fragilizada acendeu meu espanto. Espantada não fui capaz de me desvencilhar dos seus tormentos. Todos eles ali, assim na cara, e a cara dura e triste, me esvaziaram de emoção.
Minto! A mentira soa tão verdadeira que dói, dói porque eu sofri com as suas amarguras e seu patético teatro de não saber as respostas para todas as questões foi no fundo uma inocência articulada de quem escreve.
Confesso que toda a sua serenidade não me passou pela cabeça, como a inquietude dos seus dedos que nunca param; os dedos acariciando o couro marrom da poltrona e uma paz esculpida na face.
Minto! A paz era minha por me deliciar com os seus segredos, suas palavras, sua inteligência e com os seus momentos de hesitação. Uma hesitação medida - dois segundos e meio - apenas para compor nova ideia.
Entre colares de contas brancas, cigarros e frases curtas e diretas ela foi para mim, mais do que eu poderia crer possível, Lispector.
Minto! A mentira soa tão verdadeira que dói, dói porque eu sofri com as suas amarguras e seu patético teatro de não saber as respostas para todas as questões foi no fundo uma inocência articulada de quem escreve.
Confesso que toda a sua serenidade não me passou pela cabeça, como a inquietude dos seus dedos que nunca param; os dedos acariciando o couro marrom da poltrona e uma paz esculpida na face.
Minto! A paz era minha por me deliciar com os seus segredos, suas palavras, sua inteligência e com os seus momentos de hesitação. Uma hesitação medida - dois segundos e meio - apenas para compor nova ideia.
Entre colares de contas brancas, cigarros e frases curtas e diretas ela foi para mim, mais do que eu poderia crer possível, Lispector.
{Google}
Impactada com uma de suas entrevistas
eu não fui capaz de me conter
apenas em suas palavras.
Fez-se necessário o uso das minhas
para descrever e acalmar
os meus próprios fantasmas.
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