LISPECTOR, Clarice.

Confesso que vê-la fragilizada acendeu meu espanto. Espantada não fui capaz de me desvencilhar dos seus tormentos. Todos eles ali, assim na cara, e a cara dura e triste, me esvaziaram de emoção.
Minto! A mentira soa tão verdadeira que dói, dói porque eu sofri com as suas amarguras e seu patético teatro de não saber as respostas para todas as questões foi no fundo uma inocência articulada de quem escreve.
Confesso que toda a sua serenidade não me passou pela cabeça, como a inquietude dos seus dedos que nunca param; os dedos acariciando o couro marrom da poltrona e uma paz esculpida na face.
Minto! A paz era minha por me deliciar com os seus segredos, suas palavras, sua inteligência e com os seus momentos de hesitação. Uma hesitação medida - dois segundos e meio - apenas para compor nova ideia.
Entre colares de contas brancas, cigarros e frases curtas e diretas ela foi para mim, mais do que eu poderia crer possível, Lispector.

{Google}

Impactada com uma de suas entrevistas
 eu não fui capaz de me conter 
apenas em suas palavras. 
Fez-se necessário o uso das minhas
para descrever e acalmar 
os meus próprios fantasmas.

2 Comentários:

Thamy comentou:

Aprendi a gostar aos poucos da Clarice, só por conta do vestibular, mas elegi " A descoberta do Mundo" como o meu livro favorito dela.

Enfim.

Tati Tosta comentou:

A Clarice é uma linda, queria muito sentar em uma cadeira, tendo ela em minha frente e desprender um rio de perguntas - Imagino certas vezes suas respostas, meios sorrisos e sempre o cigarro. - eu fumaria com ela também - pra embalar o cenário.


 
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