Permanente - Parte XIII

Marionetes

Pádua, 11 de Janeiro, 2010

- Manhã –

“Você vai me explicar o que está acontecendo aqui ou eu vou ter que perguntar ao Fabrizio?” Bacco me fitava com seus olhos negros ônix. Sua expressão revelava muito pouco e, no entanto, sua pergunta estava carregada de significados.
Levantei da cama dirigindo-me ao banheiro onde eu pude atenuar meu sono ainda visível no rosto através da bolsa roxa embaixo dos meus olhos com uma boa água gelada. Senti um calor característico nas minhas bochechas ao pensar em Fabrizio me despindo completamente para que eu ficasse confortável na camisola de seda azul-bebê.
Ao menos, minha calcinha ainda era a mesma da noite passada; significava que ele não tocara naquela parte do meu corpo e isso era um alívio já que eu me encontrava desacordada. Corei ainda mais por saber que Bacco me vira vestida desse jeito, nessa meia roupa.
Alcancei o roupão pendurado no gancho ao lado da banheira amarrando firmemente o cinto em minha cintura num laço pomposo.
“Eu não sei o que tenho para explicar” disse voltando do banheiro analisando o meu quarto e constatando algumas mudanças; sentei-me ao seu lado no pequeno sofá e beberiquei um pouco do suco de frutas vermelhas que D. Fausta trouxera para o café da manhã, instantes antes de eu acordar, como fazia todos os dias.
“Julia Mennone, por Deus, você está me deixando louco”. Afundei no sofá e fixei os olhos no vestido que usei na noite anterior. Ele estava passado e dobrado em cima do banquinho no canto oposto ao banheiro, no lugar costumeiro das roupas limpas; pelo visto, eu havia dormido demais.
“Eu não faço idéia do que você tem em mente”, respondi desinteressada por amor a vida dele. Eu teria que ser uma exímia mentirosa se quisesse vê-lo viver mais alguns anos.
“Quem foi a garota que dividiu o quarto com você ontem à noite? Eu já sei que ela não estuda aqui, então, quem ela é?” Olhei de relance sua testa enrugada e mordisquei uma torrada com geléia.
- O que você quer saber, Bacco? – falei diretamente deixando evidente a minha impaciência.
- Hoje é segunda-feira, caso você não saiba, afinal, seus professores andaram me fazendo queixas da sua falta de atenção nas aulas...
- Você está preocupado com as minhas notas?! – falei exagerando na palavra “notas”.
- Também, mas por hora, eu me contentarei em saber mais sobre a garota; sua amiga. E saber o motivo do garoto estranho que você dançou no bar do Taylor estar parado em frente à porta do seu quarto com a mão na maçaneta segundo antes de eu terminar de subir as escadas no final do corredor. Saber o que ele pretendia aqui antes do nascer do sol e para onde ele foi. Um segundo estava aqui – ele apontou para a porta – e no outro desaparecera completamente.
- Bacco... Caleb... Ele esteve aqui? – o desespero tomou conta do meu rosto. Tentei montar rapidamente uma máscara, mas Bacco não deixaria essa expressão passar.
- Então esse é o nome dele... Sim! Ele esteve aqui e por incrível que pareça, ninguém da Segurança o viu entrar.
- Ele é irmão de Emily, é isso! Deve ter vindo buscá-la. Era só isso que você queria saber? – falei levantando do sofá e abrindo as gavetas da cômoda vinho, procurando uma roupa para que eu pudesse sair do quarto. Troquei a camisola pelo jeans puído e uma camiseta amarela; escovei os dentes e ajeitei o cabelo. Bacco ainda estava sentado no mesmo lugar, imóvel.
- Por enquanto, isso basta! Mas quero lembrar-lhe que seu pai estará aqui para uma visita no final de semana.
Ele deixou o recinto batendo a porta ruidosamente. Eu joguei meus pertences pessoais dentro da primeira bolsa que encontrei, saindo do quarto sem me importar em trancar a porta.
Precisava achar Fabrizio e contar-lhe sobre os novos acontecimentos.
Caleb veio tentar concretizar seus planos; ficou a um metro do meu pescoço, a uma porta de roubar-me a vida.
Ele permanecia brincando, no controle do seu jogo predileto – marionetes - mas eu não iria permitir que o jogo continuasse assim: a seu favor.

Partes 12345678910, 11 e 12.

Leitores, eu quero agradecer de coração o carinho dessa semana. Vocês são ótimos. O Layout novo foi um presente maravilhoso que ganhei visto que ainda sou menininha em HTML. Estou lendo Dom Casmurro do Machado de Assis - que eu amo - e recomendo pela maravilhosa forma com que o autor escreve. Vou responder a todos os comentários, todos. E mando um Mega beijo para Maria Elis - o seu blog me fazia feliz, que pena que acabou. Gostaram dessa parte? Estão gostando do conto?

5 Comentários:

Isadora Beatriz comentou:

Oi! Muito boa a continuação! E o Layout ficou LINDO! parabens!
Adoro Bacco ele é tão fofo, sempre se preocupando com Julia :B

Enfim, beijos.

Jack comentou:

Eu vou arranjar um tempinho depois pra ler todas as partes anteriores, pra só então ler essa aqui ;D Até o final do dia eu consigo o/

O layout ficou muito bonito *-*

Tati comentou:

Bell quanta doçura, estou aqui completamente Ma-ra-vi-lha-da nem tenho o que/como comentar algo tão lindo.

Beijos

Bell Souza comentou:

Jack, volte sim querido e Tati e Isa, vocês são uns amores!

Anônimo comentou:

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