Confissões.

12 de Setembro de 2010, Camaçari, Bahia.

Caro leitor,

Reconheço essa minha aflição a flor da pele que vos tem tirado o sono; essa falta de doçura com as palavras e o amor que custa inundar meus pensamentos verbalizados pela tinta preta impressa em qualquer papel.
Qualquer papel, mesmo;  a cara da folha pouco importa, de mais vale as emoções que entrego nele que os babados, os floreios e a cor nova.
Para falar do tangível, escolhi o tema saudade, que nada mais é do que um olho do amor. O outro olho fica por conta do ciúme.
Amor saudoso em querer mais, ciumento em possuir.
A proposta do Ítalo é escrever um amor de Nero que põe fogo na erva daninha e consome Roma sem glória; só coragem.
Poderia escrever antigo, bonito e inventado, mas qual seria a originalidade? Escrevo então imperfeito, simples e sincero para que o Ítalo perceba que nem sempre o melhor é o mais bonito.
E mesmo se quisesse compor as belas cartas, elas não viriam à mente devido a mentira implícita nos versos, e hoje acordei dada às verdades.
Voltemos ao amor, então, e vos digo a minha descrença nesse “tudo suporta, tudo sara”.
Vejo o tempo arrastando as horas, levando na enxurrada os beijos, e as palavras que não encontraram o hálito para se fazerem crer; acredito agora, somente, na eficácia do meu café.
Também já não posso relatar o amor materno/paterno que anda tão sujo quanto à moça de cabaré; a língua expulsando a fúria e a mão marcando a ferro a pele nova da criança ainda mais nova que não sabe aonde errou.
É, meu caro leitor, o mundo anda sinistro; e do que tem valido o amor? Trocar-se-á por um pedaço de pão ou uma moeda de ouro?
E os amigos? Há seres mais falsos? Basta que vos diga-lhe um punhado de palavras que aos ouvidos pareçam duras para que vejas o quão frágil é essa ligação, que outrora, vocês chamavam cósmica.
Tenho boas amigas, é verdade. Tenho bons amigos, é mais verdade que a outra, mas o que tenho excelentes são as irmãs; amigas-irmãs.
São elas que me secam as lágrimas, que riem das minhas não-piadas e batem na minha cara quando sou cretina além da conta.
Liberdade tem limite sabia? E as rédeas dessas minhas amizades eu sei levar, afinal, minha espora é muito mais afiada.
Essa é a minha carta, a que engoli um dia passado, para não me acharem: sem guardas.
Na presença do amor eu sou outra, não melhor que na presença dos outros sentimentos; mas completamente inteira, eu mesma e confusões.
Se for para falar de amor, como é a intenção, esqueça tudo o que eu disse aqui. Vou dissertar em poucas linhas sobre o amor do berço.
Foram as cantigas, as estórias, o embalo no braço quente, as horas acordada, o peito suculento e o sorriso farto que me trouxeram firme e forte até aqui.
Desculpe-me a contradição de amor materno, mas o amor do berço, de fato, é incondicional; o único deveras grande.
Tudo isso era que eu tinha a relatar, e como já havia escrito, acordei dada às verdades. E no resto... São mais que sobras.

Para os meus leitores e para o Ítalo;
 o que sabe meu nome sem conhecer-me a face.

- Bloínquês. Edição Cartas.

4 Comentários:

Tay comentou:

Bem, um viva ao Amor, ao do berço, às amizades, a todo amor que vale a pena!!! O Ítalo ganhou dedicatória, quero ver se vou ganhar também na edição visual!
:D

Beijooo Bell, eu também sei seu nome.

Jack comentou:

Demorei pra entender o amor, ver que por muito tempo o confundi com romance. Claro que romance e amor andam de mãos dadas, mas amor vai além disso.
Amor faz a vida valer a pena pra mim. Amar minha guitarra e as músicas em geral, as palavras que escrevo com tanto cuidado, amar uma tarde chuvoso, um por-do-sol. Amar meus pais e minha irmã, meus amigos e todas as cagadas que fazemos. Amar minha garota...
Cada coisa. É aquela história, grandes coisas são feitas de pequenas coisas todas juntas. A vida é isso né mesmo?

Jussara Nascimento comentou:

Oi Bell, à tempos que não dou um alô, rs. Também, ando beeem afastada da blogosfera. Mas enfim, só queria dizer que fico muito feliz pelo sucesso que estás fazendo, pelo novo lay, e tudo mais. É, desejo muito mais sucesso a você! Beijos!

Tati comentou:

É dificil dizer qualquer coisa depois de ler algo tão intenso srta Bell.

Gostei demais. Lindo e muito bem escrito.

[saudades imensas]

 
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