Permanente - Parte X

Outro Ângulo

Ainda no dia 9, Pádua.

- Noite -

- Eu achei que você não voltaria para casa hoje! Saiu tão irritado... Por onde estava Caleb? – Emily falou angustiada. Eu sabia que estava sendo rude. Mas não conseguia evitar. A face da garota que eu encontrei no bar não saia da minha mente e, por mais que eu tentasse ficar distante dela, eu me encontrava velando seu sono.
Ela pensa que me conheceu ontem, pensa que eu entrei em sua vida no Bar do Taylor na noite passada na qual dançamos, mas está enganada. Todas as noites, desde que arrumou suas coisas nas gavetas e armários no quarto da Universidade de Pádua é comigo que ela passeia nas ruas mal iluminadas e nos prédios de arquitetura antiga, mesmo que indiferente à minha presença.
Júlia... Esse nome martela e martela no meu consciente tanto quanto a falta de sangue em minhas veias depois de um dia preso no caixão numa cova funda do cemitério...
Emily costuma dormir nas galerias subterrâneas da cidade ou na Torre do Relógio. Sem dúvida a Torre do Relógio é seu lugar favorito assim como é o lugar mais visitado por Júlia.
Agora, Emily se encontra com um novo amor mortal, e vive contando a noite que passaram juntos e as desculpas que dá todas as vezes que o seu amado lhe perguntava o motivo de não compartilharem a luz do dia.
Tento ser simpático e ouvir com atenção aos lamentos, alegrias e quando diz que trocaria a eternidade por um único dia na presença do Sol. Nós podemos viver sob o Sol diariamente apenas se escolhermos levar um vida iteiramente nomal, mas do instante em que o sangue humano encontra nossas veias ficamos condenados ao mundo sombrio. Essa é a diferença crucial entre nós e os vampiros: podemos escolher como viveremos depois da transformação.
Não é impossível que uma Sombra - o ser que escolhe viver da caça aos humanos - saia na luz solar, mas é bastante arriscado. Sua intenção precisa ser maior que sua própria existência e poucos de nós conseguiram isso. Então eu não permito que minha irmã se arrisque a tal ponto. Meu mundo sem ela seria milhões de eternidades de sofrimento; um mundo muito mais preto que branco. Seria tão ruim quanto ver essa mortal ferida ou morta.
- Eu pensei em não voltar. Preciso ficar sozinho, Emily. Mas te amo mais que aos meus conflitos. – e não houve outras palavras. Sempre fui de poucas palavras e ela, nesse momento, me acharia mais entranho que nunca.
- Caleb, eu também te amo. – e me deu uma piscadela para esconder a profundidade do seu pensamento.
- Você não me engana, Emily! – e lhe dei um beijo na bochecha morna.
- Você não esqueceu a menina, não foi? Há dois meses a viu entrar naquele bar cafona, muito antes de pensar em dançar com ela como fez na noite passada e há dois meses você fica perambulando nos arredores da Universidade de Pádua. Eu percebo meu irmão. Vejo quão obstinada é a sua fome. Vejo seus lábios se contraírem numa tensão, numa faixa próxima a revelar o que somos. – e seu rosto se contorceu numa fúria incontida.
- Você anda me seguindo? É isso que está dizendo? – falei calmamente.
- Sim! Ou você acha que iria deixar você nos expor? Você a quer, Caleb! Todos os seus músculos e todas as suas veias pedem o sangue dela. Eu não ligaria se você a matasse, mas o pai da garota é influente e tem um poder incomum. Ele encontraria o assassino de sua filha mesmo que este estivesse no inferno.
- Você não sabe de nada! – e lhe virei às costas procurando sair o mais depressa do poderio do seu olhar.
Emily não entende, eu não me envolvo com mortais. Um nojo repulsivo se apodera do meu corpo apenas em pensar na hipótese de um relacionamento. Em pensar no corpo mole nos meus braços, na fragilidade da carne e nas limitações em me proporcionar prazer. Eu nunca poderia beijar intensa e ferozmente uma humana. Nunca. Apenas aprecio a facilidade que é seduzir uma mulher humana.
E essa humana em especial... O misto de prazer e fome. Admito a fome e não controlo o prazer, Emily não está totalmente enganada, mas há algo mais, algo que eu não sei explicar ainda, algo que é minha obrigação descobrir.
O desejo de possuir, esse é um bom termo. E raiva, muita raiva. Ódio fervendo no lugar em que foi um dia o meu coração. Porque hoje após o pôr-do-sol, enquanto eu estive disfarçado de aluno, descobri que ela sairia para jantar com um cara completamente desconhecido dos outros alunos da universidade.
E percebi enquanto ela descia as escadas que leva ao Salão principal que tanto o cara quanto a noite que terão, são especiais.
Eu só não posso me permitir acreditar que ela o ama.
Se não houver essa certeza em mim, eu terei chances, por mais que não saiba direito o que isso significa.

Ps: Eu preciso saber se vocês estão gostando para continuar postando. O texto foi modificado. Quem está acompanhando o conto favor prestar atenção nas datas. O conto todo gira em torno de uma determinada semana.

11 Comentários:

Thizi comentou:

Não li as partes anteriores, mas fiquei curiosa agora. PArebens vc escreve muito bem!

Tati comentou:

Eu estou gostando.

Super cara de crepúsculo isso aqui.

Está legal Bell.

Grande Beijo

Cizz comentou:

Estou gostando sim!
Continue postando, tá ficando muito bom!!
^^
bjxX

Bell Souza comentou:

Ai Tati, não diz que tah com cara de Crepúsculo não... i.i. affs. quero que fique muuuuuuuuuuito diferente disso!

Camila. comentou:

Comecei a acompanhar hoje, e estou adorando. Pode continuar a postar *-*

xx

Aline Tuffy comentou:

ai to tão atrasada no seu blog, e sei que perdi muitas =/
adoro contos e tu bell, tem um talento incrivel vou amar ler.
não sei se ja disse mas me pegou de surpresa esse seu blog, acho que agora pode dizer cm convicção que a conheco!

Obrigada pelo carinho viu?
o texto é msm forte, é que eu to de fato muito preocupada e horrorizada com isso. todo dia a mesma historia --'
são só criancas, pelo amor de Deus!
eu sinto medo de verdade de sair na rua. todo mundo sente medo não é?

Beijo carinhoso ;*

Gabriela Magalhaes comentou:

gooostei :D

Steven Hans Fenólio comentou:

caramba . como pude perder os contos anteriores?!
prometo de continuarei lendo e postando!
*-*
Continue por favor!!!
=D

Carla Rosenvelt comentou:

Olhaaa, ta me lembrando stephenie!
Gostei, Bell... Continua postando e a gente vai comentando.

detalhe: tenho que ler os anteriores, kkkkk

beeijos!

Isadora Beatriz comentou:

Estou gostando sim. E principalemnete no fato de você só ter mencionado que ele era um vampiro agora. Não estou achando nada parecido com Crepúsculo, sinceramente, talvez seja aquele conflito de ser proibido, mas fora isso não há nada mesmo.

Eu não sie quem amo mais se o Fabrizio ou o Caleb <3 ¹²³

beijos, isa.

Monique Premazzi comentou:

O caleb é muito divo ):

 
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