Quarta-Feira. [3]

Os sentimentos dizem respeito aos servos de olhos brancos que os escrevem. É difícil entendê-los, é verdade. A compreensão é flor que exala pouco na mente desprovida de imaginação. Entendiam-me, os mortais; mas sou deveras louca para falar ditado o que recito em versos. - Para a minha pequena Alice. Da sua amada, R. C. Souza.
O calavo Sim[N]ão.

Olhando bem, todos são iguais.
Há mais de amor fantasiado do que sentimento real. Escrevem eles a doçura do vento nos cabelos, da pele branca alva, do sorriso largo, dos banhos de chuva.
Vestem-se de sonhos azuis como as capas dos livros de histórias encantadas.
E o preto; onde fica? E a dor; onde dói? E as amarguras; onde tingem?
Estagnando o corpo, a mente corre.
Mas ser que é ser não absorve parado. Precisa-se mais do tormento, das incertezas, das injúrias, do pecado, do abraço que tatua o dorso para se fazer vivo.
E a carne; onde sacia? E o beijo; onde ecoa? E o espírito; onde habita?
Pesco aqui, bem dentro, o sorriso verdadeiro. O sorriso desdentado nascido de um ano, e aquele falho da sujeira injusta do tempo que lhe provoca a queda.
Tento, depois de tudo, reescrever o verbo que domina o cavalo, que figura livre à sombra do que antes era.
Cavalo sem chifre, porém incólume. Fera bestial que roça feroz à espreita de saída; armando para me deixar - por fim - sozinha.
Acalento-me então, na saudade. Nesse singelo querer de ter outro, nos passos em falso sobre o futuro.
Porque saudade é verdadeira, é real, é tangível. Não é mera odisséia de tolos mortais. Não é poder de transcender horizonte; é mais pra cá do coração do que pra lá da razão do que se julga sermos nós, seres amados.
Acabam-se as perguntas, expõem-se os defeitos. O que fica é o passado, as lembranças, e uma ruga na cara.
Coisas existentes, fatos noticiados, experiências concretas. Nada mais que o preto no branco; por cima - dentro - e por fora - agora; e é apenas sobre isso que eu pretendo falar.


- É a primeira vez que posto o mesmo texto (ao mesmo tempo) nos meus dois blogs; que sincronizo idéias tão distintas. Mas a verdade é que este escrito não me sai da cabeça e como na quarta eu posso tudo; postei-o aqui!
E por favor, só comente se tiver lido TODO o texto; eu não preciso de mais hipocrisia.

4 Comentários:

Priscila Nascimento comentou:

Oii, eu postei um selo lá no meu blog pra ti, espero que goste: http://mudandopordentro.blogspot.com/2010/11/selo.html#comments
bjooos ;*

Carla Rosenvelt comentou:

Falando sobre saudade: "é mais pra cá do coração do que pra lá da razão"
Ah, com certeza. Pouquíssima gente entende, pouquíssima gente vê o que está por dentro das entrelinhas aqui. Não tenha tanto medo, minha amiga. Saudade é controlável.
Estou na mesma medida que você. Achando todo mundo meio hipócrita com tanto cabelo-balançado-pelo-vento e livro-meigo-de-capinha-azul. Quero pessoas de verdade agora. Fico pensando que todos os relacionamentos são assim: sofridos. E pensando, também, que se o meu se resume a isso, bem, bela bosta! Ando tão cansada, amiga, ando tão doente... Até parei de escrever texto, passei a me sentir quase contagiosa em minha inércia. Continuo fazendo, continuo amando, mas amar no automático cansa em algum momento, não cansa? Sem mais nada que desabafar, gostei do seu texto.. voce ta cada vez mais Clarice UAHEHAUEH escrevendo tão difícil que só o nível do texto já seleciona quem lê.
Enfim, use tudo como crítica de uma pessoa que sempre vai amar você e estar aqui para tudo. Essa sou eu.

Beijo :)

Lucas Alexandre comentou:

nossa que fodaaa *_*,
amei seu texto viu,
caraca saudade /=, é mesmo um tema mto forte pra todos nós né?
beijooo bell :*

dianaBruna comentou:

Não sei dizer ao certo se eu entendi o que dizia tudo isso. Algo sobre a irrealidade que criamos e esquecemos do que há? Foi o que me passou. A doçura do vento nos cabelos incrementa minha arte, mas o sentimento doloroso e as amarguras cotidianas também. O preto no branco e o branco no preto seguem minha voz, e quase completam o quê do que me compõe. Não totalmente; deixam ainda o espaço das peças perdidas que jamais se encaixarão. E da saudade aí, sei de nada.

 
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