Coisa de mente dispersa.

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Eu tomo meu pilequinho de caneta e papel.
Que é pra quando em minha embriaguez eu não vomite
O veneno amargo do álcool e sim,
Arranque das entranhas as palavras doces e ilusórias
Que me preenchem a mente.

Permanente - Parte IX.

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Sob Maçãs


No mesmo dia.

- Tarde-

Até agora, depois do café sob o sol animador de Janeiro, eu posso sentir os braços de Fabrizio em mim. Sentir a cerca protetora dos seus movimentos, o olhar preocupado e constante em sua análise meticulosa da minha face e o jeito sorrateiro de me manter presa em seu próprio rosto.
O pomar da Universidade Pádua é invejado por muitas fazendas locais e não haveria lugar melhor para se passar uma tarde.
Aproveitamos para almoçar ali mesmo e desfrutar mais do frescor do vento e do calor de um dia ensolarado.
Fabrizio falou com seu ânimo natural sobre Yale, não se esquecendo de revelar um caso que teve com uma garota mais velha. Falou do seu envolvimento profundo para as suas reais intenções e balancei a cabeça concordando nas horas certas e murmurando baixinhas exclamações de ódio mortal destinados a tal garota.
- Você está bem? – ele perguntou colocando as mãos sobre as minhas bochechas e meu coração cambaleou até voltar ao estado natural.
- Não muito... Você sabe o quanto eu sofro com a distância. E sinto-me distante porque sei que há outras pessoas mais próximas a você, muito mais do que eu gostaria. – falei o mais sincero e honestamente que pude.
- Minha bela menina. Por que sofrer? Nunca uma mulher será dona do meu coração. Aliás, nenhuma outra mulher. Você é a primeira e será a única.
- Posso ser a única a ter seus sentimentos mais profundos, Fabrizio. Mas não sou a única a me perder em seus braços e desfrutar do calor do seu corpo. – e uma ruga se fez em minha testa da dor que essa certeza me causa.
- Júlia Mennone, eu não admito que pense isso depois da minha franqueza. Nunca te escondi nada e não seria agora. Preciso do calor feminino da mesma forma que você precisa do calor masculino. Não me julgue por ser homem e por sê-lo tão completamente. – sua voz foi elevada a uma oitava e pude ver as veias em suas mãos ficarem exaltadas.
Ele estava irritado e eu provocara aquilo. Mas sempre fui extremamente egoísta, não sei dividi-lo. E mesmo se soubesse, não o faria.
- A decisão de não me ter foi sua. Cansei de tentar tê-la só para mim. Se você gosta dessas idas e vindas eu nada posso fazer ao não ser me subordinar aos teus caprichos. Eu te amo mais que a mim. E você sabe disso e por isso me machuca tanto com esse ciúme mal encenado e sem propósito, pois sabemos que é longe de mim que você prefere ficar.
- Não me ofenda com o peso e a fúria dos seus sentimentos. Sabe que sinto o mesmo e na mesma intensidade, mas somos fruto da máfia e não quero os interesses dos nossos pais interferindo em nossa relação. Eu prefiro te perder mil vezes ao ter que te ver seguir os passos do seu pai.
- E eu prefiro morrer mil vezes a não te ter.
Perdemo-nos em um beijo apaixonado. Eu soluçava; não queria pensar em deixá-lo partir, mas sabia que esse momento chegaria querendo eu ou não. Ele me beijava como da primeira vez, como se tivéssemos apenas cinco minutos antes do mundo acabar.
Compartilhei os meus tormentos naquele beijo e os dedos dele foram precisos ao secar minhas lágrimas e seus braços foram cheios de si ao juntar nossos corpos.
Os alunos pouco conheciam aquele lado da Universidade e somente outro casal ocupava a sombra de uma macieira ali perto.

***

Partes: I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.

Resumo de ontem.

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Dia dos Namorados... Eu não sou de dizer coisas que faço ou deixo de fazer no blog, mas meu dia (ontem) merece uma postagem.
Aula pela manhã no CEFET seguido do "gelo" que meu professor de Máquinas Elétricas deu.
Ele não foi aplicar a prova que tem duas semanas dizendo que vai aplicar ¬¬.
Meio-dia fomos (Raffa, Karine, Elimar e eu, claro!) comer em uma lanchonete bacana que fica no mesmo bairro da escola técnica na qual estudamos. Conversa vai, conversa vem, todos resolveram falar dos namoros passados e atuais, dos presentes que ganharam e que gostariam de ganhar e coisas relacionadas.
Como é uma porcaria estudar no sábado, muito chato mesmo e ainda mais quando a sua escola é em uma outra cidade como no meu caso, fiquei tentada a vir embora mais cedo e encontrar com Deivid antes do previsto. Mas eu fiquei para não levar falta. Fomos caminhando, conversando, rindo e tudo mais até que chegamos no colégio e descobrimos que éramos os únicos seres vivos lá depois da natureza que cerca tudo. Sentamos em frente a sala dos professores no segundo andar e eu e Karine fomos dançar forró e tentar fazer com que Raffa (nosso best friend) que detesta dança, tentasse ao menos aprender um passinho simples, mas nada. Ele se recusou e nem deu atenção. Então fomos deitar, ouvir música e fofocar sobre a vida amorosa de Elimar. Pense em alguém cheio de coisas para contar? É ele!
Eu e Raffa ficamos ouvindo Gal Costa enquanto Karine ouvia tudo que ele dizia atentamente. Fiz poucos comentários porque não tenho muita intimidade. Lá para uma hora, apareceu três professores que estavam aplicando a prova da Olimpíada Brasileira de Matemática e ficaram abusando perguntando se tínhamos formados casais para os Dia dos Namorados. Eu tinha previsto isso: eu e Raffa ouvindo música num canto e Karine conversando com Elimar do outro; muito sugestivo!
Não fomos para casa depois da lanchonete devido ao curso de AutoCad que é no sábado e pela tarde.
O curso começa 13:30 hs, mas até a horário em que ficamos no colégio, nenhum professor apareceu. Sai de lá quase duas horas da tarde ¬¬.
Peguei meu bus para casa e fui descansar/arrumar tudo para quando Deivid chegasse aqui.
Nesta época do ano na Bahia, chove sem parar. Então sair de noite no Dia dos Namorados seria um desafio. Deivid chegou aqui com uma sacola enorme umas seis horas da noite e eu tive que esperar. Ele não queria que eu visse o presente antes dele entrar e procurar um lugar favorável para a abertura do presente.
Depois que ele achou um lugar (que foi na sala mesmo na frente de todo mundo), eu fui falar com ele e saber o motivo de tanto mistério.
Valeu muito ter esperado, ficado presa no quarto e não vê-lo durante uma semana. Eu gosto de coisas práticas, não curto coisas para se guardar num canto do armário, mas Dia dos Namorados, é Dia dos Namorados e quanto mais Dia dos Namorados for o presente, melhor!
Não que eu estivesse ligando para ganhar presente, mas foi porque ele ficou instigando a minha curiosidade, falando em lugares que tinha ido e em ideias que teve. Isso é de atormentar qualquer pessoa!
E lá estava, uma cesta enorme da Cacau Show, com todos os tipos de chocolates e trufas e com o coração mais gostoso de pelúcia que eu já abracei *--------*. Pode até parecer brega, mas tudo estava arrumado perfeitamente e eu sou VICIADA em chocolate. Presente melhor que esse só um final de semana em alguma praia paradisíaca do litoral baiano.
E o que ele me escreveu? *-------* Eu estou besta até agora...
Ele disse que gostou do meu presente e quero muito acreditar que foi de verdade. E que ele use muito, muito!
Depois fomos sair! Nada longe por causa da chuva, mas nisso perdemos de ir ver a Orquestra da UFBA que estava aqui em Camaçari tocando lindamente para os apaixonados e de ir dançar forró no Shopping. Afinal, minha mãe também comemora Dia dos Namorados e saiu para vários lugares ontem à noite. Mas como fugimos da minha casa para andar um pouco, não deu para pegar a carona para o centro da cidade.
Quando voltamos fizemos nossa própria festa. Chegamos na minha casa umas nove horas da noite e ficamos dançando juntinho, rosto colado e sussurros até...
Depois das onze ele foi embora e eu fui dormir morta de cansaço na esperança de acordar tão feliz quanto fui dormir para passar o dia com meu amor.

E vocês, o que fizeram ontem?   Beijos a todos!

Não se perca!

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Estou aprendendo com a noite. Dá sempre para encontrar
a luz de dentro, quando a luz de fora se apaga. - L.M

- Alguém está aí? - o chorinho da criança medrosa tocou minh'alma.
Não gostaria nunca de estar naquele lugar, de trocar as posições. E mesmo se quisesse, não poderia.
- Por favor... eu tenho tanto medo. Medo de ficar aqui para sempre. - passou a barra da camisa encardida no nariz entre fungadelas fartas.
Posso sentir o calor do corpo da criança, ver suas feições mesmo no escuro. Posso vê-la encolhida; esperando.
- Quem fez isso comigo? Por que não aparece e me mostra seu rosto? - os olhos faiscaram de fúria nesta última parte, mas logo voltou ao seu estado natural.
Ah! Criança, o quão inocente você pode ser? Eu não posso te ajudar mais... e preciso tanto de você quanto você de mim! Por que não se move, afinal? Por que não procura a saída que está tão próxima, só a cinco passos do seu braço esquerdo?
E mais choros e soluços, mais engasgos também -  ela é desonrosamente fraca - E mais soluços, lágrimas, gemidos de dor e medo.
- Agora chega... não vê que estou sofrendo? - e por um triz pareceu indignada. E por um triz pareceu chegar ao fundo de si.
Mas só. Só por triz. Tudo nela é assim: um triz. Uma linha fina e semi transparente.
- Aprenda de uma vez criança: eu não vou te libertar. Essa provação é individual e restrita a você. Pare de ter medo! Pare de chorar! Levante desse chão frio e olhe ao redor. Grite, criança! Tateie, criança. Só assim encontrará a saída!
E no instante seguinte ela levantou a cabeça. Ainda soluçava muito, mas isso já era um progresso.
Secou novamente as lágrimas na blusa suja e foi andando, gritando e tateando tudo à sua frente.
Demorou quase três horas para encontrar a tal saída. Uma saída que estava há cinco segundos de distância; mas isso não importa. A criança saiu do esconderijo, respirou um pouco de ar puro e me deu um sorriso zangado, mas satisfeito.
- Está vendo esse buraco na colina? Na semana passada eu te disse o quanto ele era perigoso e mesmo assim você resolveu entrar. Quando se é adulto, poucas coisas podemos fazer para mudar quem somos. E você, criança, carrega a felicidade de ser duas. De ser eu e ser você. Eu não poderia entrar neste lugar, porque como você pode notar, eu sou bastante crescida. Mas nunca te abandonei; eu deixei sempre uma luz, mesmo que fraca, na escuridão para que encontrasse o caminho.
- Mas eu não entendo... eu senti tanto medo. E pouco me recordo de ter entrado neste buraco! - falou envergonhada batendo o pé com força no chão.
- Mas entrou! E entrou sob aviso. E foi muito mais fraca do que eu imaginei que seria, pois sempre me tomei como forte. Mesmo assim, eu quero te agradecer porque mesmo com medo e dor você encontrou em algum lugar de si a centelha necessária para escapar: a centelha de luz que eu trouxe. E a única centelha capaz de me libertar de quem eu era. Adultos quase nunca mudam, e hoje, foi o meu dia para mudanças. Obrigada.
Já estávamos no pôr-do-sol. Ela segurou minha mão e fomos caminhando colina baixo.
- Minha criança e eu, minha criança e eu.

 
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