Eu não sou má; eu sou perversa.

E quando eu penso que já vi tudo descubro um punhado de coisas que me foram escondidas.
E a certeza vai embora feito o vento que alegra meus cabelos quando me dou à sentar na varanda.
Na varanda de mim, na escada de mim, nos meus alicerces... e como são fracos!
As minhas verdades todas postas bem ao lado incomodam; as minhas máscaras viradas sobre a mesa incomodam; as minhas armaduras enferrujadas na parede incomodam e todo o resto aqui dentro que não anda nem desanda, incomoda.
É como vomitar sem ver o quê, como botar para fora sem olhar na cara; é como ser sem existir. E isso eu faço bem, não existir em mim.
E feito produto tóxico queimo tudo ao redor.
Só abrindo os olhos é que eu percebo que o vento que alegrou os meus cabelos era bom antes de tocar em mim.

9 Comentários:

Maiara comentou:

As suas palavras me deixam perplexa. E é realmente digno esse teu marcador "Nu e Cru", porque é assim que vejo a sua escrita. Nua e crua; de cara limpa, até mesmo quando faz posse da subjetividade e se veste assim. De todo o jeito, não deixo de ver a sinceridade transcrita em cada linha. Muito bom vir aqui e lê-la dessa forma tão corajosa.

Beijo grande.

rafaela ivo, comentou:

Nossa, fiquei realmente em choque. E sabe, vou roubar a frase "E feito produto tóxico queimo tudo ao redor."
Incrível, Bell. Nunca tinha parado pra ler teus textos, mas agora que li, me encantei. Ficarei por aqui, permanecerei aqui. Para ver mais desse teu talento latente. Beijão!

Jéssica Marques comentou:

Nossa! Que texto forte! E ótimo também, amo introspecções. E é por isso que te deixei um selo no meu blog

http://fleur-du-matin.blogspot.com

Bell Souza comentou:

:O Eu é que fiquei perplexa com esses comentários. Emocionada!

Carla Ribeiro comentou:

Há de se entender que artista sempre terá alma de artista. E mesmo que cante aos quatro ventos os seus outros dons, ainda é palhaça de muitos palcos.
Continue a apresentar-se dama de uma dança com esse ritmo tão legal.
E que o seu pensamento lhe tire para dançar com toda a leveza que as suas palavras precisam. Por que você é demais para ser uma só.

Da sua maior, melhor e mais próxima admiradora.
Uma amiga.

Barbara Nonato comentou:

INTENSO!

Melhor dizendo, sem medo de redundâncias: intensamente intenso!!!

Verdadeiramente um texto de tirar o chapéu e cair o queixo. Lirismo e realismo em paralelo, dando um tom belíssimo ao resultado final.

E eu fico aqui pensando: como ser sem existir? Quantas vezes me sinto assim?...

Juliane Bastos comentou:

Nossa Bell, me vi nas tuas palavras, me sinto bem assim. As vezes é angustiante ter que ser eu mesma, mas tem outras que eu sinto falta de mim mesma e não sei onde estou. |:
Adorei Rebeca, lindo lindo :)

Guilherme comentou:

É quando achamos que cristalizamos tudo e temos todas as respostas, vem a vida e nos vira do avesso, nos sacode, e muda todas as perguntas! ;)

Inercya comentou:

Acho incrível como você arrasa nas palavras. E palavras sinceras, mesmo com um pouco de crueldade nelas, dão ao texto um ar mais introspectivo. A última frase... nossa, extraordinária.
:*

 
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