Perguntavam os visitantes se elas eram verdadeiras e minha mãe, pomposa e orgulhosamente, respondia "sim".
Davam-se aos comentários, os presentes na casa, sobre a beleza, firmeza, perfeição e suavidade dos tons roxos, rosa shock, amarelo e lilás. E as folhas? As folhas de um verde vivo, glorioso.
A planta imponente com as suas raízes-tubular à mostra exige lugar de demonstração, pedestal.
Colocaram-na então no centro da casa. Agora ninguém fica entortando o pescoço na intenção de admirá-la.
As orquídeas... As flores-orquídeas! Poderia ela, mamãe, ter encontrado um objeto de maior valor para a família? Mas poucas existências no mundo superam o amor que minha mãe sente pela planta rara e estimada.
Perguntaram-me uma vez o que aconteceria com mamãe se a orquídea morresse; como eu posso saber?
Apenas sinto que o quanto mais distante eu ficar do centro, melhor! Ah, mamãe! Tantas outras naturezas são mais reais e importantes, e revolve logo amar uma flor? Envelhecer é inevitável e talvez, depois dos talos secos, ela aprecie me devotar um pouco mais de afeto.
Só não tenho coragem de dar sumiço na planta, ainda! Afinal, eu a dei de presente! E que burrice a minha!
Certas são as aranhas instaladas sob as folhas; recebem toda a atenção desejada. E desde o dia em que eu trouxe a orquídea para casa fico a planejar uma forma de incitar às aranhas a devorá-la.
O mal é que aranha não come orquídea, ou melhor, ainda não.
Tudo está fora de seu lugar.
Já notei: o mundo não
foi feito pra mim... ♪
foi feito pra mim... ♪



