Orquídeas!

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As orquídeas continuam vivas e lindas! Estavam isoladas na mesa da cozinha, distantes aos olhos dos observadores.
Perguntavam os visitantes se elas eram verdadeiras e minha mãe, pomposa e orgulhosamente, respondia "sim".
Davam-se aos comentários, os presentes na casa, sobre a beleza, firmeza, perfeição e suavidade dos tons roxos, rosa shock, amarelo e lilás. E as folhas? As folhas de um verde vivo, glorioso.
A planta imponente com as suas raízes-tubular à mostra exige lugar de demonstração, pedestal.
Colocaram-na então no centro da casa. Agora ninguém fica entortando o pescoço na intenção de admirá-la.
As orquídeas... As flores-orquídeas! Poderia ela, mamãe, ter encontrado um objeto de maior valor para a família? Mas poucas existências no mundo superam o amor que minha mãe sente pela planta rara e estimada.
Perguntaram-me uma vez o que aconteceria com mamãe se a orquídea morresse; como eu posso saber?
Apenas sinto que o quanto mais distante eu ficar do centro, melhor! Ah, mamãe! Tantas outras naturezas são mais reais e importantes, e revolve logo amar uma flor? Envelhecer é inevitável e talvez, depois dos talos secos, ela aprecie me devotar um pouco mais de afeto.
Só não tenho coragem de dar sumiço na planta, ainda! Afinal, eu a dei de presente! E que burrice a minha!
Certas são as aranhas instaladas sob as folhas; recebem toda a atenção desejada. E desde o dia em que eu trouxe a orquídea para casa fico a planejar uma forma de incitar às aranhas a devorá-la.
O mal é que aranha não come orquídea, ou melhor, ainda não.

Tudo está fora de seu lugar.
Já notei: o mundo não 
foi feito pra mim... 

Despopular o Cérebro:

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Agora vivo choramingando no ouvido dos outros. O que eu penso que sou?
Se ele estivesse aqui me levantaria da tristeza apática com um beliscão.
O Rô me faz ver o quão medíocre são meus textos, e sem a Cah, sei lá, falta uma parte.
Eu vivia dizendo a ela que meus textos não eram meus e sim, nossos. Tão meu quanto dela. Agora eu vejo que o dito se concretizou. Eu ligo a tv, mudo o canal e nada! Aumento o volume do rádio, escuto umas músicas e nada! Eu e a minha insegurança! Rô e seus escritos complexos.
Inveja, mas não do Rô ou dos seus textos. Inveja da minha complexidade que eu troquei por preocupações minúsculas da realidade alada.
Na velocidade de um "click". O Rô falaria em metáforas, descreveria em acentuada análise da sua compreensão superior.
E eu não, formularia os meus próprios vagabundos ofícios corriqueiros. Esperaria por um novo surto de inspiração para voltar a rabiscar medianidades.
E que egoísmo esse meu! Tratar dos meus problemas pessoais enquanto a metade do mundo passa fome!
Mas o Rô trata dos seus e ninguém diz nada. E também  estou farta de dormir depois da meia noite. Acordo com a cara toda inchada e os olhos fundos e se isso continuar, não terá plástica que dê jeito.
Que me achem falsa depois disso. Estou me lixando se vão rir dos meus olhos novos e da cara esticada.
O Rô é feio que dói e muita gente faz pouco caso. Mas isso de não escrever bem devido a falta da Cah só me veio na mente agora.
Estava achando que era uma depressão passageira e não a falta de alguém, ou talvez seja depressão mesmo.
Gostaria, sinceramente, aprender a espremer a mente como eu espremo as laranjas para fazer suco.
Que coisa arcaica é espremer laranjas, mas tenho apreço pelo antigo.
Gostaria de chorar os pensamentos igual as nuvens choram chuva. Mas assim seria fácil demais, mesmo que em certos lugares a chuva custe a chegar.
E eu sei que está tudo uma porcaria. Foi exatamente por isso que eu peguei uma gramática emprestada na escola. Que é pra ver se depois de aperfeiçoada a sintaxe, a morfologia e a idéia eu consiga deixar essa porcaria melhor.

- Um daqueles meus textos: "cuspindo fogo" pra acender carvão.

Conceito de Tudo.

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Flores vermelhas e azuis
Flores violetas e amarelas
Flores, folhas, caule, raíz, vida
Flores amargas sabor: mundo.

Flores vivas e vibrantes
Flores rosa e caramelo
Flores, dores, fome, miséria!

Flores do hoje e da espera
Flores do tempo e do agora
Flores de paz e guerra?
Flores ausentes, flores presentes, flores deixadas...doadas.

Flores acima, por cima e embaixo
Flores estáticas, mesquinhas, hipnóticas
Flores por dentro, no centro e bem fundo

Flores, folha, caule, raíz, vida
Incertas, inseguras, inalteradas
Flores perplexas, confusas, até muitas vezes amáveis.

Flores pretas, cinzentas, obsoletas
Sempre flores, sempre flores;
Tudo começa com as flores.

- Um texto que eu fiz há um tempão atrás-

Gêmeas.

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- Ana, eu tenho medo.
- Eu estou aqui, Bia!
- Eu sei, mas eu tenho medo.
- Lembra quando você quis andar de cavalo?
- Claro. Você ficou tremendo feito louca.
- Mas eu andei, não foi?
- Andou sim...
- E você sabe o motivo?
- Eu penso nisso às vezes, mas não tenho nada concreto.
- Foi você, Ana.
- Bia... não precisava fazer isso por mim.
- Claro que sim! E sempre vou fazê-lo, até o fim.
- Eu te amo Ana.
- Eu te amo Bia.
- Eu te amo primeiro!
- Eu te amo mais!
- Mas eu nasci primeiro, então eu amo mais!
- Você nasceu dois minutos antes, sua boba.
- Por isso mesmo!
- Tanto faz, eu te amo mesmo assim.

Os corpos se apertaram num abraço sincero, eterno.
E no instante seguinte Ana estava debaixo d'água, experimentando o prazer do seu primeiro mergulho.
Bia estava ao seu lado, e assim estaria até o fim do mundo.


- Ai gente, foi só algo que eu quis escrever hoje para não deixar o blog abandonado.
A foto é incrível e eu não pude evitar me render aos encantos dela.
Espero que esse tempo longe das velhas coisas me ajude a trazer coisas novas.
E que esse texto seja um pedaço do que está por vir.
De verdade, eu espero que gostem, mesmo que tenha sido escrito rápido e tenha sido feito no meu jeito corrido habitual de ser. É isso. Eu acho que nunca justifiquei tanto as coisas como fiz agora. =/
 
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