Acordei sem saber o que comer, com dor de cabeça e comichão na mente. Pensando bem, eu escrevo muito a palavra mente; vou arrumar um sinônimo urgente.
Nove da manhã e todos dormindo, só não faço escândalo porque é sábado, então pode.
Vou na cafeteira e fico feliz: está pesada. Mas lembro logo que desde que meu irmão foi embora eu sou a única a fazer café nesta casa e o café na jarra foi da manhã do dia anterior. Café sem graça.
Jogo fora o café velho, lavo a cafeteira e coloco no fogo uma leiteira com água. Ligo a televisão, assisto a última parte do programa Aprovado, mudo de canal. Olho os 52 que estão à disposição, mas nada que me interesse a essa hora do dia.
Vou no quarto e leio os fragmentos de um texto que fiz ontem, minutos antes de dormir. Lembro que achei um título bacana e sem anotar, fugiu-me totalmente da memória quando abri os olhos hoje. Precisei arrumar outro, que não é tão bom, mas se faz entender. Sento na sala e concluo o texto que estava na metade. A água ferve.
Pego em cima da geladeira os potes de açúcar e café. Da tarde em que meu irmão foi embora, o consumo de café caiu drasticamente. Coloco cinco colheres de açúcar e duas e meia de café, espero tudo subir, coo, tampo a garrafa e ponho na minha xícara favorita o santo líquido das minhas manhãs.
Sento no sofá de novo, mas é desconfortável para escrever por um longo período de tempo.
Na mesa, tomo um gole demorado, permito que minha língua queime um pouco e depois escrevo três textos diferentes, sobre assuntos diversos incluindo este aqui. Várias páginas frente e verso.
E quando alguém me pergunta qual é a minha inspiração, eu não hesito: o café.
Foi-se.
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Unknown
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16:02
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Marcadores: Real, Vida Cotidiana,
Bloínquês.,
Coisas Minhas.
Valquíria acordou com o ruído de uma porta que se fechava pesadamente lá embaixo, no térreo. Sentiu um medo aterrador paralisar o sangue nas veias, e por um segundo, pensou que seria o fim.
Correu para o canto escuro que lhe era conhecido e enconlheu-se mais que o normal no esconderijo improvisado no terceiro andar. Respirava de tempos em tempos racionando o oxigênio e evitando qualquer barulho, por menor que fosse. Evitava a todo custo mostrar um sinal de vida, se esforçando para sobrevevir a essa manhã. Os ruídos se tornaram pés ligeiros nas escadas do prédio e as vozes que antes estavam abafadas pelas toneladas de concreto, argamassa e tinta soaram como uma marretada no ouvido, um grito agudo de birra infantil.
Mas não eram crianças as pessoas a sua procura. Eram seres humanos, é verdade. Mas como classificar aqueles que tiram vidas, que anulam a voz?
- Militares.
Valquíria respondeu baixinho a sua pergunta mental. Entendia muito bem a política para saber como o sistema funcionava. Sabia perfeitamente o seu destino.
Voltaria a ver alguns rostos familiares, caso fosse presa. Mas era é a líder. Incentivou uma legião de jovens a reivindicarem seus direitos, os fez gritar mais alto que a repressão.
Desde o início da Ditadura ela assumiu um lado. Fora uma criança revolucionária, decida. Não se deixaria intimidar pela luta árdua mesmo que desigual.
A vibração no solo aumentava a cada passo e as respirações estavam ofegantes. Suas opções estavam limitadas: ficar escondida e orar para sair a salvo de mais uma situação difícil; ir presa e morrer rápido antes que a dor física a fizesse trair os companheiros de causa ou tentar fugir, escapar.
- E viva a liberdade!
A surpresa dos oficiais responsáveis pelo caso foi espantosa. Não conseguiram definir, no primeiro instante, o que era perna, braços, unhas, dentes e cabelo vermelho.
Ela lutou com toda a força que possuía nos músculos e usou qualquer artifício que lhe desse vantagem e quando encontrou uma brecha para as escadas, quando o sentimento de vitória começou a inundar seu rosto, foi parada por um disparo, um tiro no coração.
De geração em geração esta história é contada, cantada e escrita.
Dizem que no enterro de Valquíria estenderam uma bandeira vermelha sobre o caixão. Uma bandeira que fora beijada por todos aqueles que lutaram ao lado dela.
E de todas as coisas que ouvi ao longo do anos, essa é a história que mais me marcou.
Na bandeira estava escrito pintado de branco em letras garrafais: - E viva a liberdade!
Só que para mim, a liberdade não existe mais, morreu com ela.
- Essa é a primeira vez que escrevo sobre a Ditadura. Reuni ao longo dos meus dezenove anos muitas informações sobre essa tão nossa verdade brasileira. Quem sabe um dia eu não divido tudo o que sei em formas de textos como esse para vocês? É só me chegar em tiro a inspiração.
Correu para o canto escuro que lhe era conhecido e enconlheu-se mais que o normal no esconderijo improvisado no terceiro andar. Respirava de tempos em tempos racionando o oxigênio e evitando qualquer barulho, por menor que fosse. Evitava a todo custo mostrar um sinal de vida, se esforçando para sobrevevir a essa manhã. Os ruídos se tornaram pés ligeiros nas escadas do prédio e as vozes que antes estavam abafadas pelas toneladas de concreto, argamassa e tinta soaram como uma marretada no ouvido, um grito agudo de birra infantil.
Mas não eram crianças as pessoas a sua procura. Eram seres humanos, é verdade. Mas como classificar aqueles que tiram vidas, que anulam a voz?
- Militares.
Valquíria respondeu baixinho a sua pergunta mental. Entendia muito bem a política para saber como o sistema funcionava. Sabia perfeitamente o seu destino.
Voltaria a ver alguns rostos familiares, caso fosse presa. Mas era é a líder. Incentivou uma legião de jovens a reivindicarem seus direitos, os fez gritar mais alto que a repressão.
Desde o início da Ditadura ela assumiu um lado. Fora uma criança revolucionária, decida. Não se deixaria intimidar pela luta árdua mesmo que desigual.
A vibração no solo aumentava a cada passo e as respirações estavam ofegantes. Suas opções estavam limitadas: ficar escondida e orar para sair a salvo de mais uma situação difícil; ir presa e morrer rápido antes que a dor física a fizesse trair os companheiros de causa ou tentar fugir, escapar.
- E viva a liberdade!
A surpresa dos oficiais responsáveis pelo caso foi espantosa. Não conseguiram definir, no primeiro instante, o que era perna, braços, unhas, dentes e cabelo vermelho.
Ela lutou com toda a força que possuía nos músculos e usou qualquer artifício que lhe desse vantagem e quando encontrou uma brecha para as escadas, quando o sentimento de vitória começou a inundar seu rosto, foi parada por um disparo, um tiro no coração.
De geração em geração esta história é contada, cantada e escrita.
Dizem que no enterro de Valquíria estenderam uma bandeira vermelha sobre o caixão. Uma bandeira que fora beijada por todos aqueles que lutaram ao lado dela.
E de todas as coisas que ouvi ao longo do anos, essa é a história que mais me marcou.
Na bandeira estava escrito pintado de branco em letras garrafais: - E viva a liberdade!
Só que para mim, a liberdade não existe mais, morreu com ela.
- Essa é a primeira vez que escrevo sobre a Ditadura. Reuni ao longo dos meus dezenove anos muitas informações sobre essa tão nossa verdade brasileira. Quem sabe um dia eu não divido tudo o que sei em formas de textos como esse para vocês? É só me chegar em tiro a inspiração.
Negligente.
Algumas pessoas vivem pedido meu endereço do blog. Às vezes penso que é pela admiração que estas mesmas pessoas guardam por textos que eu já escrevi, outras vezes eu acredito se tratar de uma forma delas permanecem perto, conectadas a mim e quando sou mais realista, sei que tudo não passa de conveniência.
Estava lembrando essa semana do período que meu blog esteve no auge.
Nos comentários sinceros, nas dicas que eu recebia de pessoas melhores que eu, e do incentivo sempre bem-vindo dos leitores fiéis.
Negligência minha, que fui protelando as idéias e armazenando no esquecimento as boas palavras.
Quando entrei ontem a noite aqui e parei para olhar para o teclado na esperança que algo interessante fluísse, percebi que nada seria suficiente e que nada que escrevesse arrancaria a solidão na qual meu interior se encontrava.
Eu anulei por muito tempo uma parte significativa e não é como apertar um botão e esperar que a minha capacidade criativa volte ao normal, afinal, não sou máquina.
Terei que ter paciência e calma e cuidado e olhos abertos para o exterior e o interior de mim.
Por hora, vou terminar aquele velho projeto elétrico e cuidar de manter a mente estável.
Estava lembrando essa semana do período que meu blog esteve no auge.
Nos comentários sinceros, nas dicas que eu recebia de pessoas melhores que eu, e do incentivo sempre bem-vindo dos leitores fiéis.
Negligência minha, que fui protelando as idéias e armazenando no esquecimento as boas palavras.
Quando entrei ontem a noite aqui e parei para olhar para o teclado na esperança que algo interessante fluísse, percebi que nada seria suficiente e que nada que escrevesse arrancaria a solidão na qual meu interior se encontrava.
Eu anulei por muito tempo uma parte significativa e não é como apertar um botão e esperar que a minha capacidade criativa volte ao normal, afinal, não sou máquina.
Terei que ter paciência e calma e cuidado e olhos abertos para o exterior e o interior de mim.
Por hora, vou terminar aquele velho projeto elétrico e cuidar de manter a mente estável.
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