Gêmeas.
- Ana, eu tenho medo.
- Eu estou aqui, Bia!
- Eu sei, mas eu tenho medo.
- Lembra quando você quis andar de cavalo?
- Claro. Você ficou tremendo feito louca.
- Mas eu andei, não foi?
- Andou sim...
- E você sabe o motivo?
- Eu penso nisso às vezes, mas não tenho nada concreto.
- Foi você, Ana.
- Bia... não precisava fazer isso por mim.
- Claro que sim! E sempre vou fazê-lo, até o fim.
- Eu te amo Ana.
- Eu te amo Bia.
- Eu te amo primeiro!
- Eu te amo mais!
- Mas eu nasci primeiro, então eu amo mais!
- Você nasceu dois minutos antes, sua boba.
- Por isso mesmo!
- Tanto faz, eu te amo mesmo assim.
Os corpos se apertaram num abraço sincero, eterno.
E no instante seguinte Ana estava debaixo d'água, experimentando o prazer do seu primeiro mergulho.
Bia estava ao seu lado, e assim estaria até o fim do mundo.
- Ai gente, foi só algo que eu quis escrever hoje para não deixar o blog abandonado.
A foto é incrível e eu não pude evitar me render aos encantos dela.
Espero que esse tempo longe das velhas coisas me ajude a trazer coisas novas.
E que esse texto seja um pedaço do que está por vir.
De verdade, eu espero que gostem, mesmo que tenha sido escrito rápido e tenha sido feito no meu jeito corrido habitual de ser. É isso. Eu acho que nunca justifiquei tanto as coisas como fiz agora. =/
Aos Fiéis!
Eu sei que ando ausente!
Sei que estou bem distante do que esperam.
Desculpas, ok?
Podem me perdoar?
Eu já cansei dos meus argumentos.
Da minha falta de objetividade.
Da minha falta de história mesmo; de ter coisas pra contar.
E os fiéis, como ficam?
E vocês que me sondam? Que procuram o novo?
O que eu tenho dado a vocês de bom, de útil, de engrandecedor?
Essa é a minha crise! Crise de apelido e crise de fato!
Não é falta de tempo, mas é a falta de algo bom para expressar; escrever.
Estou dando um tempo:
Um tempo de mim!
Um tempo para eu me reescrever, me reinventar.
Só prometo terminar Permanente.
Porque sei que tem gente boa como a Tati, a Dih e a Nih que continuam lendo.
E no demais... é de mais para eu pensar agora.
Sei que estou bem distante do que esperam.
Desculpas, ok?
Podem me perdoar?
Eu já cansei dos meus argumentos.
Da minha falta de objetividade.
Da minha falta de história mesmo; de ter coisas pra contar.
E os fiéis, como ficam?
E vocês que me sondam? Que procuram o novo?
O que eu tenho dado a vocês de bom, de útil, de engrandecedor?
Essa é a minha crise! Crise de apelido e crise de fato!
Não é falta de tempo, mas é a falta de algo bom para expressar; escrever.
Estou dando um tempo:
Um tempo de mim!
Um tempo para eu me reescrever, me reinventar.
Só prometo terminar Permanente.
Porque sei que tem gente boa como a Tati, a Dih e a Nih que continuam lendo.
E no demais... é de mais para eu pensar agora.
Permanente - Parte XI
A Verdade Sombria
Pádua, Itália, 10 de Janeiro, 2010.
- Noite -
- Noite -
Todo o domingo, se comparado a este momento, foi insignificante; minha Julie está maravilhosa no seu vestido seda preta, com o seu cabelo castanho-avermelhado sobre os ombros, o salto agulha torturador e a maquiagem delicada realçando o rosto perfeito. Lembro-me bem a primeira vez que a tomei em meus braços e antes disso, lembro o instante em que eu soube que estava completamente apaixonado.
Muito mais apaixonado pelo sorriso indolente, os cabelos revoltados quando ao vento e as roupas sujas de uma brincadeira travessa que ela costumava me pregar do que pelas pernas esguias e fortes, cintura fina, peito firme e rosto talhado com total precisão.E ainda hoje continuo assim: muito mais apaixonado pela sua personalidade atrevida.
Escolhi uma mesa com vista para o córrego e seus gondoleiros. O céu estrelado em sua melhor forma proporcionaria um charme, mesmo que sutil, ao nosso jantar.
Júlia Mennone caminhou silenciosamente ao meu lado até a porta do carro aberta que o motorista alugado para me servir durante esta noite lhe ofereceu. Sentou ereta, nariz erguido. Cruzou as pernas sedutoras e provocantes e nesse meio tempo, revelou um rasgo lateral no vestido, tornando visível a pele da coxa direita até o calcanhar.
Provocações; ela me testaria da sua mais tentadora maneira.
Chegamos ao Pallazo della Ragione onde um pequeno restaurante funcionava até o nascer do sol e nos acomodamos na mesa na qual eu fiz a reserva.
Júlia permaneceu calada por um bom tempo e sua expressão a cada segundo despertava um misto de curiosidade e angústia em mim.
Enchi nossas taças com o vinho da escolha dela e me posicionei para ouvir o que ela teria a falar, o motivo de toda a resignação.
- Fabrizio... – houve hesitação –, eu não sei explicar o que está acontecimento, mas sinto que você é o único capaz de entender o que eu vou lhe dizer. Na última sexta, no dia 8, eu fui até o bar do Taylor. O bar que mencionei em uma das minhas ligações; costumo para acompanhar umas amigas de classe e flertar com uns garotos. Mas tem algo errado! Eu me sinto insegura desde a última visita como se houvesse sempre um par de olhos sobre mim. E por diversas vezes essa sensação martela o meu cérebro como uma verdade incontestável, existindo realmente alguém a me observar. Eu sondei o Bacco e sei que não é ele e nem ninguém que ele tenha contrato para me vigiar.
- Por que você acha que está sendo seguida? – perguntei mostrando desinteresse, mas estava realmente assustado.
- Eu sinto! Lembra quando éramos criança e a Máfia Russa tentou nos seqüestrar?
- Sim.
- Desta vez eu sei que não é máfia alguma. É uma força maior, algo que não pode ser explicado com a razão... – seu rosto era uma linha neutra, sem emoções.
-Fabrizio, você acredita em forças ocultas? – e no momento seguinte eu nada pude responder, pois puxando uma cadeira para sentar em nossa mesa estava a mulher mais bonita que eu jamais havia visto na vida. Cabelos até a cintura, magra como uma modelo, olhos verdes na luz da vela e negros quando entrava na sombra que uma viga produzia próximo ao lugar que ela escolheu para sentar. Branca como a neve e delicada, aterradoramente delicada.
- Quem é você? – falei sem conter a medo e a excitação.
- Escutem-me crianças! Eu sou Emily! Sou o que esta cidade conhece como “Sombras”. Sou mais velha que Pádua e conheço o mundo melhor do que poucos. Tenho um irmão e a senhorita Júlia Mennone teve a infeliz graça de conhecê-lo.
Você corre perigo, minha menina! Eu não interferi; até agora! Você está me fazendo quebrar pactos, então espero que me ouça com atenção.
- Então vocês existem mesmo... – Júlia sussurrou para si.
- Foi um erro aceitar o convite do meu irmão para aquela dança. Somo caçadores, caçadores de homens e mulheres. Alimentamos-nos do seu sangue doce e quente. É como voltar à vida. É pela dança... Meu irmão seduz as mulheres através da dança. A dança é a chave de tudo. E nenhuma mulher é sua vítima se esta não desejar ser. Vocês podem dizer não ao convite, mas uma vez tendo aceitado vocês estão selando seu destino, dizendo não a qualquer oportunidade, a qualquer expectativa, a qualquer futuro.
- Eu faço meu destino. – Júlia disse confiante, mas via-se um traço de medo em seu olhar.
- Não criança, você não faz! Somos mais fortes, mais espertos, resumindo: somos melhores! Somos a evolução.
- Melhores? Melhores em quê? Vocês tiram vidas inocentes, vocês matam para se manterem vivos, matam seres conscientes e não animais tolos. – foi a gota d’água para ela.
Júlia pegou o vestido que arrastava no chão, arrumou-o no corpo e seguiu para a porta do estabelecimento e um segundo após encontrar a escuridão da noite fria, uma mão a puxou pelo ombro fazendo-a rodar e cair de joelhos no chão antigo sem asfalto.
Um gemido de dor estremeceu em seus lábios e seu corpo começou a ser levantado, empurrado e por vezes arrastado com toda elegância de uma bailarina. Júlia se debatia, choramingava, tentava acertar o rosto do seu agressor, mas só encontrava o ar aqui e ali e nada mais.
Passados cinco minutos de luta vigorosa ela se deixou ser conduzida até o final da rua. Eu paguei a conta e fui me juntar às duas senhoritas tão distintas, mas donas de uma beleza que fazia meu coração crepitar como a lenha na lareira.
- Fabrizio... Por que não me ajudou?
- Julie, será que não vê que somos vulneráveis?
- Não importa! Eu tentei... – e lágrimas mancharam a maquiagem perfeita.
A Sombra em minha frente colocou Júlia no colo e embalou-a com uma canção assombrosa. Um arrepio tomou meu corpo inteiro e meus músculos endureceram travando meus pés no chão onde estavam.
O choro de Júlia começou a amenizar com o balanço e o carinho em sua face favorecendo a continuação da conversa.
- Eu amei muito um mortal há vários séculos e sei o que é o amor. – falou a Sombra. – eu vou ajudar vocês em nome desse amor. Vou lutar contra o meu irmão. Eu sou a melhor chance de sobrevivência que os dois possuem.
Fomos ao carro que me esperava, e a Júlia, de volta a Universidade. Bacco deu um aceno de cabeça e perguntou se ela estava bem. Julie mentiu dizendo que se tratava de problemas femininos e que logo ficaria melhor e que para isso uma amiga nova dormiria em seu quarto para lhe prestar o socorro quando necessário.
Bacco estremeceu ao ver a garota, mas não poderia se opor a uma mulher dividir o quarto com Júlia. Passados dez minutos, uma batina leve em minha porta perturbou meus devaneios e a garota incrivelmente bonita me convidava a segui-la, indo as duas em direção a sala de literatura pagã. Ao que parece, ela nos contaria uma história.
Permanente - Parte X
Outro Ângulo
Ainda no dia 9, Pádua.
- Noite -
- Eu achei que você não voltaria para casa hoje! Saiu tão irritado... Por onde estava Caleb? – Emily falou angustiada. Eu sabia que estava sendo rude. Mas não conseguia evitar. A face da garota que eu encontrei no bar não saia da minha mente e, por mais que eu tentasse ficar distante dela, eu me encontrava velando seu sono.
Ela pensa que me conheceu ontem, pensa que eu entrei em sua vida no Bar do Taylor na noite passada na qual dançamos, mas está enganada. Todas as noites, desde que arrumou suas coisas nas gavetas e armários no quarto da Universidade de Pádua é comigo que ela passeia nas ruas mal iluminadas e nos prédios de arquitetura antiga, mesmo que indiferente à minha presença.
Júlia... Esse nome martela e martela no meu consciente tanto quanto a falta de sangue em minhas veias depois de um dia preso no caixão numa cova funda do cemitério...
Emily costuma dormir nas galerias subterrâneas da cidade ou na Torre do Relógio. Sem dúvida a Torre do Relógio é seu lugar favorito assim como é o lugar mais visitado por Júlia.
Agora, Emily se encontra com um novo amor mortal, e vive contando a noite que passaram juntos e as desculpas que dá todas as vezes que o seu amado lhe perguntava o motivo de não compartilharem a luz do dia.
Tento ser simpático e ouvir com atenção aos lamentos, alegrias e quando diz que trocaria a eternidade por um único dia na presença do Sol. Nós podemos viver sob o Sol diariamente apenas se escolhermos levar um vida iteiramente nomal, mas do instante em que o sangue humano encontra nossas veias ficamos condenados ao mundo sombrio. Essa é a diferença crucial entre nós e os vampiros: podemos escolher como viveremos depois da transformação.
Não é impossível que uma Sombra - o ser que escolhe viver da caça aos humanos - saia na luz solar, mas é bastante arriscado. Sua intenção precisa ser maior que sua própria existência e poucos de nós conseguiram isso. Então eu não permito que minha irmã se arrisque a tal ponto. Meu mundo sem ela seria milhões de eternidades de sofrimento; um mundo muito mais preto que branco. Seria tão ruim quanto ver essa mortal ferida ou morta.
- Eu pensei em não voltar. Preciso ficar sozinho, Emily. Mas te amo mais que aos meus conflitos. – e não houve outras palavras. Sempre fui de poucas palavras e ela, nesse momento, me acharia mais entranho que nunca.
- Caleb, eu também te amo. – e me deu uma piscadela para esconder a profundidade do seu pensamento.
- Você não me engana, Emily! – e lhe dei um beijo na bochecha morna.
- Você não esqueceu a menina, não foi? Há dois meses a viu entrar naquele bar cafona, muito antes de pensar em dançar com ela como fez na noite passada e há dois meses você fica perambulando nos arredores da Universidade de Pádua. Eu percebo meu irmão. Vejo quão obstinada é a sua fome. Vejo seus lábios se contraírem numa tensão, numa faixa próxima a revelar o que somos. – e seu rosto se contorceu numa fúria incontida.
- Você anda me seguindo? É isso que está dizendo? – falei calmamente.
- Sim! Ou você acha que iria deixar você nos expor? Você a quer, Caleb! Todos os seus músculos e todas as suas veias pedem o sangue dela. Eu não ligaria se você a matasse, mas o pai da garota é influente e tem um poder incomum. Ele encontraria o assassino de sua filha mesmo que este estivesse no inferno.
- Você não sabe de nada! – e lhe virei às costas procurando sair o mais depressa do poderio do seu olhar.
Emily não entende, eu não me envolvo com mortais. Um nojo repulsivo se apodera do meu corpo apenas em pensar na hipótese de um relacionamento. Em pensar no corpo mole nos meus braços, na fragilidade da carne e nas limitações em me proporcionar prazer. Eu nunca poderia beijar intensa e ferozmente uma humana. Nunca. Apenas aprecio a facilidade que é seduzir uma mulher humana.
E essa humana em especial... O misto de prazer e fome. Admito a fome e não controlo o prazer, Emily não está totalmente enganada, mas há algo mais, algo que eu não sei explicar ainda, algo que é minha obrigação descobrir.
O desejo de possuir, esse é um bom termo. E raiva, muita raiva. Ódio fervendo no lugar em que foi um dia o meu coração. Porque hoje após o pôr-do-sol, enquanto eu estive disfarçado de aluno, descobri que ela sairia para jantar com um cara completamente desconhecido dos outros alunos da universidade.
E percebi enquanto ela descia as escadas que leva ao Salão principal que tanto o cara quanto a noite que terão, são especiais.
Eu só não posso me permitir acreditar que ela o ama.
Se não houver essa certeza em mim, eu terei chances, por mais que não saiba direito o que isso significa.
Ps: Eu preciso saber se vocês estão gostando para continuar postando. O texto foi modificado. Quem está acompanhando o conto favor prestar atenção nas datas. O conto todo gira em torno de uma determinada semana.
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