Permanente - Parte II

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Observador


Sou um legítimo caçador de mulheres, armado essencialmente de atributos físicos invejáveis.
Nunca houve uma garota que não se deixasse conduzir pelas minhas habilidades na arte da sedução e nunca haverá. Se os humanos possuem um dom, esse é o meu mesmo que não possa me encaixar tão confortadamente na categoria humana.
Existo há dois séculos assim como a minha irmã Emily, e durante esse tempo, fomos a dupla de caçadores mais temível dos da nossa espécie.
Emily foi a primeira a conhecer a escuridão. Antes disso, não possuíamos nenhuma informação sobre os seres da noite.
Algumas pessoas mais sensíveis aos limites entre o céu e o inferno chegaram a nos denominar vampiros, mas eu em toda a minha experiência de submundo afirmo que essa raça inferior de caçadores foi extinta; ficaram expostos aos olhos humanos e definharam ao mesmo tempo em que as pirâmides do Egito foram erguidas.
Ironicamente, uma raça mais desenvolvida e completamente letal surgiu através de uma combinação do DNA humano com uma espécie de ave predatória exclusivamente noturna que tinha uma base alimentar constituída do sangue das cascavéis do deserto do Saara.
O sacerdote do Templo de Urbi combinou inocentemente o seu próprio sangue ao veneno da cobra e ao sangue da ave desconhecida; ele não poderia nem em pesadelo prever as conseqüências daquela ação. Ele julgava se tratar de uma velha fórmula dos antepassados contra a lepra, injetando na sua corrente sanguínea a mais terrível criação.
Akunosh Amasis é o nosso primogênito e desde então, temos habitado a terra como se fôssemos meros seres humanos no intuito de preservar a verdade do que somos.
Nossas características físicas pouco se diferenciam dos outros homens e mulheres, apenas temos uma força inigualável, beleza absurda e pele assombrosamente branca fruto da falta da pigmentação de cor encontrada na espécie egípcia de cascavel.
A evolução genética nos favoreceu e podemos conviver tanto com o Sol como com os mortais e proporcionou a diferença entre nós e os vampiros convencionais: podemos ter uma “vida” normal e isso inclui uma dieta tipicamente humana.
Nunca entendi a nossa capacidade de sobreviver ao tempo e confesso que a trocaria por um punhado de experiências como os sonhos. Ah, os sonhos... Como gostaria de poder sonhar a noite. Meu momento de descanso é exageradamente longo e totalmente escuro, vazio.
Minha irmã encontrou um prazer maior do que a alimentação, já que escolhemos viver integralmente o mal que nos compõe. Ela escolhe a cada 80 anos um parceiro no qual pode dividir seus tormentos pessoais e depositar o amor reprimido de ter sido abandonada no altar dias antes de conhecer as trevas. Como um bom observador não vejo vantagens em relações pessoais com estas criaturas, mas a sedução, irrevogavelmente, é a minha melhor arma. Sacio meus desejos masculinos com as mulheres que compartilham a mesma essência e divirto-me com as belas jovens desprotegidas que como moscas em teia de aranha prendem-se cegamente a ilusão de um conto de fadas, sendo assim, não há motivos para que eu mude.
Sombras; é assim que nos chamam na Europa e é assim que agimos depois que o dia dar lugar a noite. E sombras como eu, apenas buscam um sangue fresco no qual possam se saciar. E por hora, a bela moça que vejo entrar descontraída num bar fora de moda me parece uma boa opção.

Ps: Essa é a continuação do conto Permanente. Vocês pediram uma continuação e eu me empolguei. Ficou enorme essa parte, mas ela é muito importante para que você entenda a história. Comentem bastante e me falem o que acharam dessa nova perspectiva.
Photo: Deviantart
 
 

Ele - Sorriso Torto.

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Amo o jeito como os seus olhos se mexem à procura de respostas.
Amo ver a sua postura séria, o movimento que faz ao cruzar os braços e a forma impaciente com a qual seus dedos dançam ritmadamente: o encaixar e o separar.
Amo o contorno desajeitado do seu corpo quando se inclina e beija minha testa, segura minhas mãos.
O seu sorriso torto! O meu sorriso torto. Ele se abre lentamente fazendo inflamar as suas bochechas.
Amo fazer piadas de como ele se ajeita, se compõe e recompõe... O seu andar e o som das palavras distraídas que seus lábios professam.
Não te amo menino! Não na intensidade que tu desejas. Mas te amo como um todo.
Todo esse expresso no seu tão meu sorriso torto.
E se eu te perder menino, não te perco! Porque toda vez que você passar de rosa ao vermelho-roxo e no seu rosto se iluminar o meu velho sorriso maroto, eu vou lembrar de ti.


Texto para o meu menino Carlos Alexandre, o amigo que fez e faz dos meus dias um ambiente favorável aos sorrisos.

Ps: Texto do dia 08 de Setembro de 2009. Escrito entre as duas escadas do meu pé de cajú favorito do CEFET.  
Photo: Deviantart

Motivo.

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Se é para escrever, que se escreva uma verdade.

Ninguém encontrará em mim nada além disso.

- Rebeca Souza

- O que acharam do layout?

No fundo do poço raso.

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Experiências; elas deveriam moldar as pessoas, torná-las mais próximas do mundo real.
Penso o mesmo sobre a responsabilidade. Pena não poder dizer que sou alguém comprometida ao ponto de pesar as massas da balança e optar pelo peso que melhor zele pela minha integridade. Estive sobrecarregada na infância e por anonimato do futuro, sempre trabalhei com as possibilidades de um futuro infeliz. Surpreende-se?
Poucas ações humanas me fazem ter esperanças, afinal, poucas são boas ações e preciso também nesse meu tempo sóbria compreender e lidar com a fé. Aceitá-la. Não porque a julgue complexa ou inanimada, mas pelo meu capricho em duvidar de tudo e todos.
Só me parece estranha, às vezes, como tantas outras coisas. Você notará a diferença, mesmo que sutil, que não usei a minha escrita característica nessas indelicadezas adversas; não pretendo florear as palavras. Tenho o desejo sucinto de compartilhar esse momento de exaustão mental, desgaste físico e pouca espiritualidade. Para isso, necessito apenas das palavras e nada mais.
Reconheço minhas crises e depois de certo tempo, elas se tornam ilusórias e sem significados tanto quanto as motivações que tenho em remoer assunto velho.
Sentada na cozinha estou, encaixando a caneta gentilmente na mão para que não me doa os calos nos dedos; tentando aquecer meus pés com um par de meias fora de moda e uma blusa rosada de croché protegendo o tronco. Quando deixo meus olhos se perderem em objeto fixo, fico no limiar entre a loucura e a lucidez desafiando com interesse indistinto as linhas coloridas no mogno antigo da mesa do tempo do meu pai.
Talvez você não entenda metade do que dito e digito, exponho e componho sobre mim.
Mas não tem importância! Essas orquestrações são plenamente minhas e não as mudarei para que sejam entendidas. Não posso agradar-te já que não posso me agradar.
Se tem algo que faço bem é contar no papel a minha fidelidade, mesmo que esta seja empregada aos demais; pouco a uso por mim. Não tenho ansiedade, comoção ou prazer em fincar-me em uma única compreensão sobre os meus fatos - substância de pouco valor. É exponencialmente válido costurar pactos com outras mentes – mente conhecida, mente sem expectativas. Perigoso é conhecer a si em profundidade, sendo assim, sou um poço raso de sorrisos e bons gestos arquitetados para conhecer a mente alheia.
O pecado disso se dar em não usar corretamente as informações.
 Como o pião, brinquedo estimado, gira apontando às várias direções; assim faz a garrafa do “jogo da verdade”, mas sabemos que apenas um sentido será escolhido, um solitário lugar de repouso. E isso os torna comuns: a capacidade de girar, de ter todas as possibilidades e um destino desconhecido aos olhos dos expectadores.
Eu mostro a minha direção, apenas. Os fantásticos rodopios estão por baixo, bem embaixo e esses, eu não os mostro jamais.
Experiências... Essas sim são boas armas para viver em terra e na Terra. Tenha sempre compilações em cabides esperando o devido uso; elas poderão amenizar a rispidez de um dia qualquer e servirão tão bem quanto as capas de chuva.
E preste bastante atenção: eu nunca deixo à mostra uma verdade duas vezes sem o intuito de despertar em quem ler minhas entrelinhas à dose precisa de análise sobre determinado rosto exposto. Pois como disse em texto passado: o que mais tenho em mim é facetas.

Ps: Esse é um daqueles textos em que ou você ler todo o conteúdo ou você fica quieto e não comenta. É um texto que precisa de "análise" para compreensão.
 
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