Adeus.

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Acabou gente. Cheguei até aqui e só Deus sabe como tenho me esforçado para manter as palavras.
Não vou prolongar meu adeus, apenas quero deixar essas outras palavras:

""Adeus" alguém precisava dizer e esse alguém era eu, mas com que palavras?
Com que coração? De que jeito?
E tudo parecia tão direito, mas não foi bem assim o que eu sonhei pra mim..."

Fecharei esse blog, é isso. Um beijo. Não há mais nada que eu consiga dizer agora.

Por uma confissão e nada mais.

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As palavras são como pássaros. Pássaros de todas as cores e todos os tamanhos.
Pássaros exóticos e raros como o beija-flor do Peru ou como um desses cardeais que vivem cantando no quintal da vizinha.
Lembro-me de já ter criado periquitos, desses facilmente domesticados. E lembro-me de já ter domesticado as palavras pelo simples prazer de tê-las ali, retidas na garganta. As palavras são como pássaros. Eu já disse isso antes...
Eu gostaria de falar um dia sobre gaiolas, sobre as prisões que já me foram impostas, sobre os anéis de tornozelo para identificação. Às vezes eu sinto vontade de falar sobre isso, noutras vezes a vontade foge como eu fugi um dia.
Eu sei de tantas coisas e há tantas coisas que não sei que aprendi com todas elas assim, desse jeito quase obscuro de existir. Dessa forma quase insegura de ser, desse canto mudo de pássaro que chora fingindo que canta quando é posto na "casinha" e não sabe o porquê.
Então passarinho chora pra fazer doer em quem não. Em quem não sente nada depois da última curva fechada na estrada. Em quem não passa de um borrão em meio à multidão de pessoas desconhecidas que lhe cercam agora.
Passarinhos e pássaros e aves e todas elas são tudo que tento sentir. E sinto quando lembro que eu não estarei aqui no final das contas. Nem por você, nem por mim. Pássaros são tudo aquilo que eu quero te entregar agora. Pássaros são aquilo que de melhor eu posso te dar - a minha outra metade. 

As palavras são como pássaros.

Como dói.

3 Comentários
Eu só quero vomitar o que eu não sei.
Deixar queimar de dentro pra fora.
Não é por causa da vida, nem por falta dela...

Vomitar o que me engasga.
Eu só quero expulsar o que me impede.
Quero rasgar minh'alma e com as próprias mãos arrancar minhas travas,
minha fala,
a minha obscura força que não diverge.

Como cuspir o que não sei?
Como ceder pra quem não ampara?
Como pular em buraco sem fundo?
Como me encontrar em outras caras...

Eu quero vomitar o meu enjoo.
A mente que derrete em ácido.
Quero, porque querer, eu posso.
Pra ver, quem sabe, meu peito calmo.

- Como dói. O coração. Que não se cala.

Minha poesia.

4 Comentários
{Quando outro alguém diz o que você gostaria de dizer... Então, você diz também, só que do seu jeito.}


Minha poesia não quer
Ser útil
Não quer ser moda
Não quer estar certa...

Minha poesia não quer
Ser bela
Não quer ser má.
Minha poesia não quer
Nascer pronta...

Minha poesia não quer
Redimir mágoas
Nem dividir águas
Não quer traduzir
Não quer protestar...

Minha poesia não quer
Me pertencer
Não quer ser sucesso
Não quer ser reflexo
Não quer revelar nada...

Minha poesia não quer
Ser sujeito
Não quer ser história
Não quer ser resposta
Não quer perguntar...


Minha poesia quer estar
Além do gosto
Não quer ter rosto
Não quer ser cultura...

Minha poesia quer ser
De categoria nenhuma
Minha poesia quer
Só ser poesia.
Minha poesia
Não quer pouco...


- Ao som de Adriana Calcanhotto.


 
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