Woodstock.

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A Kombi verde horrorosa dele esperava estacionada na porta do prédio. Uns 50 anos de uso, carburador furado, bancos gastos agora na cor bege lembrando vagamente a tonalidade marrom, que outrora, deram vida ao interior daquele carro.
A bagagem havia sido arrumada cuidadosamente na quarta-feira, dois dias antes dela precisar partir. O gato de estimação foi deixado aos cuidados da vizinha Maria Lúcia e com o porteiro, a responsabilidade de manter viva a sua samambaia da sorte. Não sabia para onde ele a levaria, não imaginava o que era a tal surpresa.
Abriu a porta logo após as três batidas costumeiras, deu-lhe um beijo no queixo, entrelaçou sua mão direita na mão esquerda do rapaz amado levando consigo a mochila presa no ombro enquanto ele carregava a mala, agora pesada, de viagem.
O elevador sacudiu um pouco, rangeu e seguiu em sua normalidade para o térreo. Conversaram sobre o dia que passaram longe um do outro até aquele momento, o que fizeram logo após os beijos dados ainda em frente a porta do apartamento dela; amenidades...
Ele girou a chave na ignição fazendo o motor roncar alto expulsando uma fumaça preta que encheu, por um minuto, a visão dos dois passageiros despreocupados que sorriam um sorriso quase sem graça da poluição ambiental causada pela Kombi velha.
Deram ali seu primeiro beijo, tiveram ali sua primeira noite de amor; nenhum outro carro os teria feito tão bem apesar das circunstâncias atuais. O moço soltou o freio de mão, afrouxou o pé na embreagem seguindo rumo ao litoral.
Ana delirava com o mar, as ondas quebrando na borda do Atlântico, as várias tonalidades do verde já se misturado ao azul e por estar ao lado do homem que lhe roubava o fôlego apenas com uma piscada de olhos. Delirava com o quanto a pele dele poderia ficar mais nítida a cada novo gradiente de cores dos raios quase findos do sol. Extasiava-se com a mudança daqueles olhos castanho-escuros para os poços rasos de um mel avelã.
Desabotoou um pouco a camiseta permitindo que o vento quente que soprava pela janela aberta em seu rosto fosse o seu alerta para a vida, se morresse ali com ele ao lado e todo o litoral ao alcance; morreria feliz.
Agora entendia o motivo da mochila de Camping, a barraca, o colchão de ar. Ele estava pagando a sua primeira promessa: acampamento; e pelo visto, com juros e correção monetária.
Marcos parou a Kombi 1960 entre os coqueiros baixos, estendeu a esteira de palha sobre a vegetação rasteira, armou a barraca, prendeu a rede.
Deitaram enroscados na rede na velha praia Woodstock, próximos a um punhado de casais, como eles.
Todos permaneceram contemplando a grandeza do pôr-do-sol dos fins de tarde de verão, menos o nosso casal. Eles permaneceram imóveis por muito tempo, protegidos pelo invólucro do amor eterno.


- Eles ainda eram crianças quando se olharam pela primeira vez.

Apenas hoje.

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Uma exclamação na vida alheia! 
Uma interrogação na minha própria.
- Um ponto contestado e comedido.
Essa minha mania e necessidade de escrever leva-me por caminhos desconhecidos. Eu apenas possuo a humildade de deixar-me conduzir. Beijos a Diana Bruna. [saudades de ti, minha engenheira]. Beijos a todos e até...

A particularidade dessa nossa montanha russa.

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E deu-se assim: dois assentos e nada mais. Você me tomou pela mão e fui pé ante pé com os olhos vendados.
A barriga cheia de ansiedade e aflição, mas não é a curiosidade que impulsiona as mulheres?
E deu-se então: coração crepitando, pulso acelerado. Você me levando mais alto, fazendo-me subir os degraus.
Se sentada permaneci, não sei dizer. Se o rosto foi gigante para caber o sorriso segredou apenas aos céus. E de nada bastou preparar o espírito; fraca que sou.
Das injúrias que lhe falei, apenas duas palavras permaneceram na memória e das promessas que fiz, tranquei-as em confessionário eterno.
E deu-se mais: eu presa, de novo, a você.
Como na montanha russa. Pega-se a mão, sobe os degraus, senta-se seguros pelo cinto, respira bem fundo e prepara a garganta para gritar toda vez que o carrinho ameaça jogar os corpos horizonte abaixo.
Eu na minha vida pacata, você nas suas mil possibilidades, e novamente, o bicho conspirador me obrigando a voltar ao passado.
Como na montanha russa: primeiro subimos até o limite terreno, aproveitando a paisagem, desfrutando a companhia. Só que você esquece que a descida revela a verdadeira face do homem, e eu, já conheço a sua.
- Chega dessa inconstância, chega de ter sem ter.
Eu vou é aproveitar o carrossel; o futuro nele, é mais fácil prever.

- Eu tenho a quem dedicar; 
ele sabe que eu poderia fazer essa 
dedicatória, mas há muito tempo decidimos 
correr com as nossas vidas em sentidos opostos.

Esses outros pontos. [2]

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Essas falsas verdades;
Esses falsos prazeres;
Esse dito mal feito
Esses pedaços que não são meus.

Essa máscara pintada
Neste rosto exposto.
Essa postura abalada, eriçada.
Neste corpo ausente.

Essa carcaça sombria sou,
Daquilo que um dia fui:
Um sorriso altivo.

Essa malandragem fosca.
Esse grito de poesia.
Esse meu vômito de sinceridade...

Essa tua insinuação figurante.
Esse teu fingir poder
Nessa tua cara fechada.

Essas caraminholas minhas
Das caraminholadas tuas
Dos desejos ardentes meus
Das míseras infâmias tuas.

Este ar superior
Esta vírgula em lugar nenhum
Este ponto na história errada.

Este segredo de sermos um.
Esta fantasia de sermos nós;
Do complexo complexado amor.

Do subúrbio subordinado
Da coerência incoerente
Da sensata insensatez;
Do presente feito-bem-feito;

Nessas inocentes inocências suas
Nessas perversões perversas minhas
Dessa sua delicadeza em minha boca
Desses meus dentes fortes nos lábios teus.

Neste pedaço incerto de verso,
Numa confusa confusão de palavras.
Numa tentativa inexata exata de se dizer fazer o que pensa;

Até rasgar e tecer outros versos
Até contar outras não tão falsas verdades
Até encontrar prazeres mais concretos;

Entre esses outros pontos
Pontos esses! Pontos meus.
Que nada mais são do que outros pontos,
pontos outros, pedaços outros, outros pedaços de mim.

Pontos exclamados, interrogados, pontilhados,
exaltados, furiosos, adoráveis, estáveis instáveis.
Contínuos não lineares.
Todos estes: Pontos em mim.

É um texto já postado aqui no blog, mas foi bem no comecinho quando poucas pessoas conheciam este espaço. Estou atarefada ultimamente e sem paciência para escrever por conta dos trabalhos do curso técnico. Voltarei firme e forte semana que vem. Beijos aos que ainda lêem este espaço. Eu amo escrever a palavra poesia. #fato!
 
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