Das abstinências que ele impõe.

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Todos os anos é a mesma coisa. Como um relógio programado pra despertar às seis da manhã ele pisca sempre pontual na minha janela.
A conversa se inicia sem roteiro pré-definido e em quase todas as oportunidades ele me traz novidades, me traz perspectivas, me traz lembranças ou, não traz nada. Eu sinto medo, é claro. Medo, aflição, ansiedade e expectativa se misturando feito comida no estômago quando a gente brinca no carrossel.
Poso de amiga, de amante, de mãe, de irmã e de tantas outras coisas que me perco nessa teia encantada que ele tece só pra me seduzir.
O contato imediato desperta uma vontade sincera de abraçá-lo apertado, o segundo e o terceiro contato são as atualizações dos acontecimentos das nossas vidas. O quarto contato é uma pausa dolorosa e silenciosa - como o minuto de silêncio que oferecemos em respeito aos mortos – sobre o futuro que planejamos juntos e o passado precursor de tudo.
E o quinto, o mais previsível de todos, é o contato que evidentemente ele mais gosta. Um floreio, meias palavras e uma distância que chega de mansinho até se instalar outra vez entre nós.
Quando isso acontece meu espírito fica quieto, resignado. Não há nada que eu possa fazer. Agora é aguardar o próximo contato no ano que vem, talvez.

Ciranda.

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Eis que tudo saiu num jato de dores, amores, remorsos, saudades, conforto e alívio.
Os dedos tamborilando no teclado, a cara sem graça e uma vontade que não esperou adormecer. Não esperou acordar. Não esperou raciocínio lógico que o compreendesse. Eu ali, resguardada e uma ruga de preocupação desenhando a testa.
Besta fui novamente eu. Tola me atirei outra vez em seus mistérios. O juízo gritando em mim 'cuidado' e essa vontade maldita de confiar vendando meus olhos.
Uma ciranda imperfeita, um laço mal dado e mil segredos circunscritos nessa história. 2004-2012, 8 anos; o tempo corre e eu peço pressa. Eu peço agora. Peço que se resolvam hoje as inquietações que ainda carrego.
Farei o melhor, prometo. Preciso acreditar que há jeito, forma, fórmula, resultado que nos encerre. Que nos dê um basta. Que leve embora os Karmas e as mágoas que fizeram de mim apenas eu, eu e só, eu e ponto, eu e uma solidão quilométrica tão distante quanto o lugar onde você mora agora.
Amor é uma palavra dolorosa de se dizer quando o amor foi consumido por todo o resto... os beijos não dados, o colo negado, o afago que se perdeu em algum cômodo da casa. Quando todo o resto é e foi tudo aquilo que se quis e morreu aí, no querer.
Os deuses são realmente invejosos e crueis. Apressam o tempo da tua partida e atrasam o tempo da tua chegada. Eles jogam seus dados no tabuleiro das nossas vidas. Quando menos se espera o jogo recomeça: eu, você e essa ciranda.

Certeza.

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Retiro-me como quem sai de cena.
As luzes se apagam, as cortinas se fecham e o barulho antes intenso das palmas soa frágil, destrutível.
Pulo a linha, viro a página.
- Shiii, silêncio!
As cortinas novamente se abrem, euforia incontida.
Agora sou antes eu - outra peça.

Vontade de.

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A força da vontade é uma coisa estranha. Diferente da força de vontade - que vem da gente.
A força da vontade é como essas figuras geométricas de vários lados e faces opostas, num minuto aqui e agora, dois segundos depois deixa lá já foi embora. Essa força da vontade é bicho solto, desses de roça que desconhecem cabresto. Desses de mato que desconhecem cerca, limite de terra, obstáculo... Desses de todo jeito liberdade.

A força da vontade - juro que poderia escrever milhões de coisas sobre ela - é feito impulso de gente que não espera amanhã pra dizer com demora. Sem demora é assim na cara, na lata, pá pum, verdade - agradeça a força da vontade!
É na força da vontade, e não na vontade que a força tem, que escrevo assim fora de hora só para salientar a vontade que é ter mais do que já se tem - você.

 
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