Deixe-me ir.

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Obrigada, obrigado. Troco a vogal, o locutor, troco o ponto - travessão.
Pula o sinal, pula o verbo; pula uma linha, outra face.
Pulo uma vida inteira e descubro que nessa frase cabe um conto.
Conto o conto que já é tarde. Acerto o ponto - vou dormir.

Quem se habilita?

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Procuro um amigo.

Procuro um amigo e essa tarefa tem me dado trabalho. Um amigo verdadeiro, que me ame sem receios, em quem eu possa confiar está difícil de achar.
Procuro um amigo sincero que não me esconda os defeitos e manias irritantes. Que saiba o valor da vida e que goste de dar risada. E que queira cuidar dessa filosofia já gasta: um amigo.
Procuro um amigo que seja só meu. Só meu quando estiver comigo, só meu para comigo enfrentar o mundo e meu para me ensinar a ter cuidado.
Quero um amigo que cure solidões com abraços e saudades com sorrisos de aquietar coração e mente; eu procuro um amigo que me queira de fato. E que odeie cigarro, por favor.
Quero um amigo que enxugue lágrimas, que perdoe minhas faltas, meus medos e aflições; pode ser amigo santo ou mágico, tanto faz.
Procuro um amigo que dure mais que um verão... Um amigo que saiba um pouco de filosofia, física e religião; um amigo que tenha fé.
Procuro um amigo que me tire para dançar mesmo que não haja música. Um amigo igual e diferente de todo mundo; igual em achar graça na besteira e diferente em compreensão... Pode ser amigo homem ou mulher, mas que ele fale bem baixinho palavrão.
Quero muito na minha terrível exigência, mas não se acanhe, é só fachada. Quero mesmo é um amigo, isso e ponto. Um ponto e basta.

Procuro um amigo pra vida toda. Alguém se habilita? 



Entre nós.

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Entre não é partida, nem chegada.
É apenas a metade do caminho.

Ocorreu-me.

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Até o silêncio me é revelador de alguma forma. Sinto falta de quando o silêncio era apenas o silêncio e nada dele se podia retirar. Agora, entretanto, é preciso entregar meu corpo, mente e espírito a um nível insuportável da mais profunda quietude para que sobre mim repouse a mais completa ausência de sentidos.
Ruidosos são os sons que a mente faz em busca do sincero entendimento e ruidosos são os sons do corpo que não se contenta apenas com o rubor da pele em dias de verão. O espírito, que tanto se alegra, não consegue guardar para si seu descompasso e tudo passa sem que eu tome nota da verdadeira mudança que em mim ocorre.
Seria então necessário antever o descarrilhar das horas ou me fixar somente a estes audíveis barulhinhos que se dão em contemplar de olhos bem abertos o nascer da manhã? E se me entender é abrir mão de tal íntima questão o que faço eu aqui sem cessar o espírito para dar voz à razão?
Até o silêncio me é revelador de alguma forma. Eu só não sei distinguir que forma é esta e se me é boa ou não.
 
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