Alice.


Alice. Minha pequena Alice. Foi embora num dia de Sol quando tudo aqui era poesia, som e música...
Alice, minha irmã gêmea. A preferida do papai; a mais amada pela mamãe.
Alice, minha mais fiel amiga. Sem dúvida: a metade de mim.

Tudo aconteceu de forma inesperada. Ela simplesmente se cansou de todos ao redor. Decidiu partir. Ela sempre foi a mais corajosa e a mais determinada de nós duas. Alice sempre foi a querida por todos , mesmo que ironicamente eu tenha todos os seus aspectos físicos. Ou melhor, mesmo que ironicamente ela tenha todos os meus aspectos físicos. Porque eles sãos meus, eu nasci primeiro, sou a mais velha, então posso dizer isso, não posso?
Ela sempre foi a "menina boa"; enquanto a mim, restou os conceitos negativos.
Mas eu a amava, a amo, e não julgo sua decisão. Ela precisou partir e partiu.

A minha menina tinha apenas 17 anos quando subiu na moto do Paul para nunca mais voltar. Dezessete anos. Eu também tinha 17 anos quando a vi subir naquela moto e me acenar um "adeus" apagado, enquanto a moto ganhava velocidade.
Hoje eu tenho 25 anos. Alice também tem. Seu sonho sempre foi ser uma mochileira, uma aventureira, uma caçadora de perigos. Por isso ela foi embora. Papai nunca permitiria que sua filha mais amada largasse tudo pra viver de ação.

Atualmente, Alice é bem sucedida. Encontrou uma ruína antiga em algum lugar do México e acabou sendo nomeada Chefe dos Historiadores pelo Museu de Arqueologia e História Antiga do Texas - Estados Unidos da América - depois disso malmente tínhamos tempo de nos encontrar.
Eu me tornei uma advogada de 2° classe. Defendendo pessoas que nem as minhas comissões poderiam pagar, então eu nem pensava em salário. Com isso as coisas ficaram mais difíceis. Tive que cortar todos os gastos extras e isso incluia viagens ao exterior. Tudo que conheci fora do Brasil foi proporcionado por ela:

Alice. Não teria visto 1/3 do que vi e não saberia metade das coisas que sei se ela não fosse minha irmã, minha metade, a minha parte jovial e engraçada. Eu sempre fui a mais séria de nós duas.
Papai e mamãe, com o tempo, aprenderam a me amar [ se é que posso chamar o sentimento deles de amor] e a me reconhecer como filha. Eles sentem um certo orgulho por mim, no qual eu nunca entendi muito bem, já que nem eu tenho orgulho do fracasso que me tornei.
Mas eu teria sido exatamente a mesma pessoa e teria cometido o mesmo erro se pudesse voltar ao passado.

Eu sabia que minha irmã fugiria naquele fim de tarde. Ela havia me contado e mesmo a amando como eu amava, eu nunca teria impedido ou prejudicado a sua partida. Eu sempre quis o melhor pra ela. Mesmo que isso custasse a minha própria felicidade. E foi o que fiz: guardei segredo. Até porque eu sempre soube que não haveria futuro se ela ficasse. Ela nunca teria sido a sonhadora aventureira que é hoje.

Mas tudo isso é passado. Minha amada irmã se casou há 2 anos, e há 2 meses descobriu que está grávida. Você acredita? Grávida, uau! E grávida de gêmeos, ainda por cima! Quase chorei quando ela me disse.
Eu nem pude comparecer em seu casamento... Papai me proibiu... ele nunca a perdoou. E eu sempre fui a fraca, nunca tive o pulso necessário para enfrentá-lo. Não até hoje.

Amanhã bem cedo estou embarcando num avião. Estados Unidos - Texas. Vou passar todo o período necessário da gestação, vou tomar conta dela, dos bebês. Vou segurar sua mão na hora do parto. Conhecer o tal famoso Paul, o cara que levou minha irmã para longe e o cara que lhe deu felicidade plena. Paul, o menino de 20 anos na época. Agora é homem e que em breve será pai.
Nunca vi um amor tão forte...

Mas isso não importa agora. O meu maior medo é do amanhã. Do momento em que as rodas do avião voltarem a tocar o solo, do momento em que eu terei de sair e encontrar aquela que sempre foi quem eu gostaria de ser. Não de uma forma invejosa, mas não há no mundo alguém que eu admire tanto quanto a Alice. Tenho medo do abraço de despedida daquela tarde em que ela se foi. Daquele abraço nunca dado. Daquele abraço que ficou preso, apertando meu peito até agora.

Se fosse pra voltar atrás, eu voltaria nesse momento e abraçaria minha única irmã. Agora não há volta e teremos de reconstruir, de recomeçar do momento em que paramos: daquele abraço. Eu a encontrei ao longo dos anos, mas não é como agora. A nossa história se repete. Ela terá filhos gêmeos. Só que dessa vez lutaremos com tudo que possuímos pra que esta irmandade nunca se desfaça. Eu lutarei até quando puder.
Espero ansiosa o instante em que correrei pelo corredor do aeroporto e abraçarei a minha Alice no meu abraço mais apertado e feliz como deveria ter sido há 8 anos atrás.

Só que dessa vez, o abraço não será de despedida. Ele será melhor que isso: um abraço de chegada.
- Por você, eu faria isso mil vezes.

3 Comentários:

Gabriela Magalhaes comentou:

gosstei do blooog amiga
tá lindããão,!
seja sempre bem vianda ao Com.problema.com, okk,! :D
beijoooos fofa

Lôoh Toledo comentou:

Muito bom o seu blog fofa!

o lay e lindo e seus textos encantadores parabéns *-----------------*

Gabriela S. * comentou:

MUITO bom seu blog,ta cada dia melhor,Parabéns.
BEIJOS E SUCESSO !

 
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